Uma diretora de uma instituição precisava de apoio para a realização de um jantar que arrecadasse dinheiro para a realização de benfeitorias na escola. Trinta minutos após uma declaração na rádio comunitária da região, surgiram várias pessoas dispostas a colaborar.

O exemplo, é apenas um dos tantos que acontecem todos os dias nas comunidades das cidades paranaenses. O meio de divulgação é a rádio comunitária. O bairro é o Boqueirão, em Curitiba.

A história é mais uma igual a outras que se tornaram possível por causa do papel que esse veículo vem desempenhando em todo o País. Apesar de não serem totalmente difundidas, as rádios comunitárias se desenvolvem cada vez mais, com incentivo do Ministério das Comunicações (MC). O governo federal aposta na rádio como um difusor social, atuando em prol de um bairro, atendendo e integrando toda uma comunidade.

No Paraná, funcionam hoje, com supervisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 130 rádios comunitárias. Só em Curitiba, se localizam quatro: Associação Comunitária Cultural e Artística Folha do Boqueirão (Boqueirão), Centro de Atendimento Comunitário São Jorge (Cidade Industrial), Sociedade Civil Boca Maldita (Centro) e Associação Cristã de Ação Social e Comunitária Cajuru (Cajuru). Outras cidades que também apresentam mais de uma rádio comunitária são Londrina, com três; e Maringá e Umuarama, com duas cada.

As rádios comunitárias são uma realidade em grande parte das cidades brasileiras. De acordo com a advogada Renata Raposa Schaphausere, elas representam uma força interessante dentro da sociedade. Ela destaca que, respeitando as normas da Anatel, elas têm tudo para se firmar. “O papel que elas exercem é de extrema importância. Desenvolver a comunidade e divulgar tudo que é de interesse dela tem que ser respeitado. É uma iniciativa inovadora e essencial”, diz.

A Anatel realiza a fiscalização de todas as rádios comunitárias registradas no Ministério das Comunicações. No momento, são mais de 2 mil rádios comunitárias em todo o País. “Mantendo a linha que se propõem, esses veículos têm tudo para crescer. O que não pode acontecer é envolver interesses comerciais”, completa a advogada.

O diretor da rádio comunitária do Boqueirão, Gilberto Antônio de Souza, destaca a programação do veículo. Ele informa que a participação de pessoas da região faz com que se desenvolva novos profissionais no local. “Pensamos em toda a comunidade e, por isso, mostramos variedades nos assuntos discutidos. Além disso, a participação das pessoas como programadores, produtores e até mesmo locutores chama a atenção da população”, explica. “É um campo que tem crescido porque mostrou que é importante. É necessário para uma comunidade, divulgando o que é de seu interesse e o que acontece à sua volta”, completa Gilberto.