O agravamento de pandemia do novo coronavírus fez com que os governadores dos três estados da Região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – se reunissem nesta terça-feira (23) para discutir medidas conjuntas com o objetivo de conter o avanço da covid-19. Após o encontro, o governador Ratinho Junior (PSD), falou sobre as ações que devem ser adotadas no Paraná, entre elas a abertura de novos leitos de UTI, necessária para evitar o colapso do sistema de saúde, que enfrenta recorde de ocupação nos hospitais.

LEIA MAIS – Curitiba tem UTIs covid-19 de quatro hospitais lotadas; São 37 leitos livres

O governador também descartou por ora, em entrevista ao jornal Meio Dia Paraná, da RPC desta terça-feira, um novo decreto de quarentena restritiva no estado. “Estamos estudando todas as alternativas para evitar qualquer tipo de prejuízo econômico para as pessoas. Temos que ter o cuidado de não deixar o sistema de saúde colapsar. Estamos abrindo 40 novos leitos de UTI no estado. Nossa recomendação é para que as pessoas continuem se cuidando. Já pelo lado da Sesa, estamos buscando prestar todo atendimento necessário aos paranaenses”, disse.

Para Ratinho Junior, o recente aumento dos casos de covid-19 no Paraná pode ser explicado pela mudança de comportamento das pessoas, além existência de outros fatores, como a circulação de novas variantes do vírus Sars-Cov-2. “O que nós detectamos nos últimos 10, 12, 15 dias, é que com a chegada da vacina, mesmo que à conta-gota, de um volume que ainda não é o suficiente para imunizar a população do Paraná, as pessoas deram uma relaxada e entenderam que com a chegada da vacina a questão do coronavírus está resolvida. E não está”.

LEIA TAMBÉM – Paraná deve receber 200 mil doses de vacinas contra coronavírus até a próxima semana

Segundo Ratinho, municípios, estados e diferentes países ainda dependem de um aumento da produção mundial de vacinas contra a covid-19. “Nós dependemos de um volume grande para poder imunizar a grande maioria da população e isso leva um tempo. Tem todo um trabalho do Ministério de Saúde na compra dessas vacinas e a própria produção mundial ainda está muito lenta. Não é um problema que acontece só no Brasil”.

Para conter a disseminação da doença, o governante prometeu reforçar a fiscalização de aglomerações, em parceria com as prefeituras, e também pediu que as pessoas não abandonem os cuidados preventivos. “A ideia, a sugestão e a recomendação que nós fazemos, é que a população continue usando máscara, continue se cuidando, continue restringindo o volume de pessoas do convívio do dia a dia e em festas, muitas vezes, com os familiares. Nós vamos reforçar o combate às festas clandestinas com a nossa Polícia Militar, com as guardas municipais, em parceria com as prefeituras, porque isso tem, infelizmente, ajudado a propagar o vírus”, ressaltou Ratinho Junior.

Mais jovens com covid

Outra mudança preocupante da pandemia, relatada pelo governador, foi o aumento da contaminação com a covid-19 e da internação entre os jovens no Paraná. Entre os jovens infectados, os que têm sido hospitalizados têm permanecido por mais tempo nos hospitais.

LEIA AINDA – Anvisa aprova registro da vacina da Pfizer contra covid-19

“O jovem geralmente conseguia ter a doença de forma assintomática ou era um quesito leve, sem ficar na UTI ou internado. Mas agora não, essas novas cepas que nós estamos vendo, do Amazonas e até de fora do Brasil, que acabaram chegando já em todos os estados do Brasil têm feito com que os jovens acabem ficando na UTI, ficando em mais tempo de recuperação que os próprios idosos. Isso tem tomado os espaços de leitos, 11% a mais de tempo o jovem tem ficado internado do que uma pessoa idosa”, afirmou Ratinho, para o Meio Dia Paraná. 

Aulas voltam no dia 1º?

Questionado sobre a volta às aulas em sistema híbrido, marcada para acontecer no dia 1º de março, o governador explicou que a data está mantida, mas que os municípios têm a sua autonomia para tomar decisões.

“O prefeito tem o poder de cuidar de sua cidade. A principio está organizada a retomada das aulas. Temos a cautela de não por professores em risco. Modelo hibrido ameniza qualquer risco que possa ter. Educação é prioridade para nós, vemos jovens com problemas psicológicos pelo afastamento da escola. O convívio com a escola e professores é essencial para a construção do caráter desses alunos”.

Paraná vai comprar vacina?

Após a aprovação do registro da vacina da Pfizer pela Anvisa, Ratinho Junior afirmou ainda que pode ir atrás da empresa para adquirir o imunizante para o Paraná.

“Sem dúvida, temos essa possibilidade. Essa questão da Pfizer, que foi liberada pela Anvisa. Havendo a possibilidade, temos R$ 200 milhões em caixa pra compra de vacina, existe a busca de fornecedores e nós vamos fazer nossa parte”, finalizou o governador.