O secretário do Meio Ambiente do Paraná, José Andregueto, disse que o Parque Estadual de Vila Velha, que passa por obras de restauração para retornar às suas características primitivas, será reaberto ainda este ano, porém uma decisão judicial pode adiar a abertura mais uma vez. Esta semana, o escritório do advogado Renê Dotti, representando um grupo de pessoas integrado por ambientalistas e geólogos, entregou à Justiça um parecer técnico feito pela professora Daniela Biondi, da Universidade Federal do Paraná, que é especialista em estudos da paisagem. O paracer da professora confirma a existência de problemas, já apontados anteriormente pelo grupo, nas obras.

Em maio deste ano, o grupo entrou na Justiça pedindo que as obras fossem vistoriadas. Assim o juiz Antônio Domingos Ramina Júnior, da 4.º Vara da Fazenda Pública de Curitiba, cancelou a abertura do parque, que estava prevista para setembro, até que se provasse em juízo que o plano de manejo estava sendo seguido. Ramina pediu ao grupo que elaborasse um parecer.

De acordo com o documento, há vários problemas, entre eles trilhas que foram revestidas com material inadequado, a via de acesso que é asfaltada e provoca grande contraste com as características do parque, a área onde se encontram as piscinas deveriam ser usadas para criar espaços culturais, mas estão abandonadas.

O secretário diz que as obras estão na fase final e que todas as determinações do plano de manejo, elaborado com a participação de diversos técnicos, estão sendo seguidas. Mas comenta que se a justiça determinar as alterações, elas serão realizadas. “O mais importante é que o processo de degradação do parque foi interrompido”, afirma. Para a reabertura do parque a Secretaria do Meio Ambiente deve apresentar a justiça um documento que especifique as mudanças realizadas.

José Álvaro Carneiro, membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que também brigou pela revitalização de Vila Velha, acha que não há problemas na reabertura e destaca os avanços obtidos. Ele diz ainda que as únicas obras que não seguiram a determinação da ação judicial ganha em 1993 é a derrubada de uma igreja e destruição de uma piscina e do asfalto. Diz que agora a comunidade poderia participar e ajudar a decidir o destino destas construções.

A briga pela revitalização do parque começou em 1978, com uma ação popular que foi movida contra o Estado e a gestora do parque, a Paranatur. Terminou em 1993, mas só em 2001 as duas partes se reuniram para firmarem um acordo, elaborando um plano de manejo. Em maio deste ano, o grupo ambientalista esteve no parque e constatou as irregularidades entrando em seguida na justiça pedindo a vistoria das obras do projeto.