Foto: Ciciro Back/O Estado
Cel. Furquim: discriminação.

Os policiais militares da reserva concluíram esta semana a reunião mensal da velha guarda, no Clube dos Oficiais, em Curitiba, com um manifesto. No documento, assinado pelos integrantes e encaminhado para conhecimento público, eles reclamam do reajuste salarial diferenciado concedido para a classe. Os militares consideram a ação discriminatória. O texto começa lembrando que à classe não é concedido o direito de sindicalização, greve ou manifestações, o que não significaria que não mereçam respeito.

O coronel Elizeu Ferraz Furquim diz que os militares são, por natureza, silenciosos e obedientes ao Estado que servem. ?No entanto, certas atitudes fazem com que haja essa revolta e indignação e que as mesmas sejam exteriorizadas?, completa Furquim. Entre essas atitudes estariam as revisões salariais. ?Desde as primeiras revisões procurou-se manter as equiparações salariais, seja entre policiais civis e militares, seja entre os diferentes postos da classe. No caso, já a partir de 2002 para 2003 começou a aparecer a diferenciação salarial. Isso só foi se agravando e, este ano, tivemos as revisões de todas as outras categorias, mas os segmentos de capitães a coronel não receberam um vintém sequer. Não é de agora, vem de dois anos. Isso é ofensivo, não tem razão?, reclama o coronel.

?Não que essas categorias iriam morrer de fome sem o reajuste, mas percebe-se a discriminação. Portanto, não é justo. Não está certo, pois as pessoas se sentem ofendidas.? Segundo ele, ?essas são as dores do segmento. Com esse manifesto queremos, em um primeiro momento, que a sociedade conheça esse tipo de injustiça e atitude?, esclarece.

Explicação

De acordo com a Secretaria de Estado da Administração e Previdência (Seap), os índices de reajuste diferenciado buscam apenas corrigir as distorções salariais que existiam entre os diferentes postos. Segundo a Seap, se ?fosse aplicado um índice único, linear, essas diferenças de remuneração só iriam se acentuar?. O reajuste oferecido este ano contemplou os postos de soldado de primeira classe a primeiro tenente. Os índices concedidos variam, respectivamente, de 57,59% a 9,12%. No entanto, a Seap cita que em 2003 novos índices de gratificação foram aplicados sobre o vencimento base e todos os postos foram abrangidos.

A secretaria informa ainda que, para o próximo ano, ?o orçamento estadual prevê revisão geral dos salários dos servidores, incluindo reestruturações de remuneração dos policiais?. A medida, segundo a Seap, atingiria também os postos não contemplados pelo último reajuste, que começou a vigorar em 2005.