O MST entregou a Requião e ao superintendente
do Incra, Celso Lisboa de Lacerda,
uma pauta de reivindicações.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná termina hoje seu encontro estadual, em Curitiba, muito fortalecido, principalmente devido às manifestações de apoio que recebeu do governo do Estado. Ontem, numa audiência pública no Marumby Expocenter, 4 mil sem-terra ovacionaram o governador Roberto Requião (PMDB), que, além de demostrar sua admiração pelo movimento, se comprometeu a fornecer a infra-estrutura necessária aos sem-terra assentados e acampados. O MST entregou ao governador e ao superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, uma pauta de reivindicações, que pede fundamentalmente o assentamento imediato de 15 mil famílias e a anulação da lei que proíbe a vistoria em áreas ocupadas.

Requião disse estar emocionado com a fibra do MST, que está comemorando 20 anos. “A resistência, a vontade de mudança do MST são demonstrações claras da saúde social do Brasil. O MST é a saúde, quem está doente é a sociedade”, afirmou. Requião lembrou que tanto o movimento quanto o governo cometem erros, mas que o ser humano é o único capaz de aprender com seus erros.

O governador afirmou que por limites legais e por algumas convicções diferentes ele não é um membro do movimento. Mesmo assim, disse que é um militante do MST no coração e pediu para que os sem-terra o tratassem como um companheiro.

Requião afirmou que o Estado fará o possível para dotar os assentamentos de toda estrutura necessária, como água, luz, educação e saúde. “Os trabalhadores rurais têm os mesmos direitos que todos os outros paranaenses”, salientou.

Divulgação

Requião criticou a mídia que, segundo ele, satanizou o MST, mostrando apenas coisas ruins sobre o movimento. Ele lembrou que as duas rádios e a TV estatal estão sendo utilizadas para mostrar o MST que dá certo. Um documentário sobre o sucesso de um assentamento em Querência do Norte foi produzido e está sendo exibido pela TV Educativa ao menos uma vez por semana para toda América do Sul. “Vamos fazer o Festival Internacional de Música pela Reforma Agrária e mostrar isso através da TV”, disse.

Para o governador, o MST é um movimento social respeitado, que serve como instrumento para que as multinacionais não tomem conta do País. Requião agradeceu o apoio do movimento em algumas questões consideradas importantes, dizendo que em alguns momento chega a se sentir isolado na luta contra os transgênicos. “Caso não lutarmos, daqui a pouco vão querer privatizar a água e a terra”, alertou, destacando que o que consagra a posse da terra é sua produtividade. “Ocupar a terra é a greve pelo trabalho.”

Estrutura

O problema da reforma agrária no Paraná é maior do que se imagina. Os 274 assentamentos já existentes abrigam problemas estruturais sérios que preocupam Lacerda. Ele disse que o Incra está investindo R$ 1,5 milhão este ano somente em água e estradas, mas que o necessário para solucionar o problema seria R$ 10 milhões. Lacerda prometeu cumprir a meta de assentar três mil famílias no Estado este ano. O Incra assentou 450 famílias no primeiro trimestre. Em dois meses mais cem famílias deverão ser assentadas. Outras cinco áreas que foram declaradas improdutivas esperam mandado de desapropriação vindo do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O Incra negocia a compra de outras dez propriedades.

Já o secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Ação Social, padre Roque Zimmermann, afirmou que está em negociação com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Miséria para que sejam construídas hortas e cozinhas comunitárias e que se distribua uma vaca leiteira para cada dez famílias acampadas.