O governador Roberto Requião visitou ontem o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. Acompanhado do secretario do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, do professor João José Bigarella, que representa a Associação de Defesa e Educação Ambiental, e do advogado René Dotti, autor da ação que interditou o parque, Requião percorreu todo o local e demonstrou que está disposto a atender as propostas de preservação e proteção apresentadas por Bigarella.

O não atendimento dessas reivindicações, feitas durante o governo anterior, levou à interdição judicial do parque, decretada em janeiro de 2002. Desde então, o parque foi fechado em cumprimento de decisão judicial, durante fase de obras de revitalização do parque, condenadas pelos ambientalistas.

Durante a reunião ficou definido que serão feitas obras para preservar o local e evitar sua degradação. O parque será reaberto à visitação turística quando as entidades ambientalistas, lideradas por Bigarella, e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) acertarem os detalhes de como completar as obras e como será ordenada a visitação turística, disse o governador. A preocupação de Requião é transformar em lei a necessidade de preservação do local, permitindo apenas as visitas culturais e pedagógicas. “Isso aqui não pode ser um parque de diversão”, disse.

Segundo Cheida, já existe um plano de uso que prevê visitas turísticas monitoradas em grupos de vinte pessoas, que podem permanecer na visita durante duas horas. Requião sugeriu que as visitas de grupos de estudantes das escolas públicas e privadas sejam programadas e gratuitas. Os turistas vão pagar uma taxa ainda a ser estipulada, mas que inclui a visitação à area de Arenito e também à Furnas e Lagoa Dourada, que também estão fechadas.

Cheida destacou que já estão sendo treinadas cinqüenta pessoas que servirão como guias. A visita monitorada, segundo o secretário, vai evitar o mau uso e a degradação do local.

O parque está localizado a 80 km de Curitiba e a 20 km do centro de Ponta Grossa. Segundo Bigarella, o cenário hoje formado por figuras esculpidas pela natureza em arenito começou sua constituição no período carbonífero superior, há 390 milhões de anos, quando o local era coberto por geleiras.

Trata-se de um modelo de geologia glacial, que é único no mundo, salientou o professor. Bigarella disse que Vila Velha é uma área de recuo de um geleira, que posteriormente formou os arenitos. “É uma relíquia do passado que precisa ser preservada”, afirmou.

A preocupação de Bigarella e ambientalistas data de 1978, quando foi proposta uma ação judicial para que as várias entidades que têm ingerência no parque chegassem a um acordo de preservação da área. O parque é cortado por rodovia e ferrovia federais e tem até uma igreja em sua extensão de aproximadamente 4 mil hectares de área. A ação judicial reclama uma administração voltada à preservação do local.

Durante a fase de obras no governo passado, aumentou a preocupação dos ambientalistas com a possibilidade de aumentar o fluxo turístico da região, sem controle, e de privatização do local. Foi quando o advogado René Dotti consequiu interditar o local, parando as obras e a reabertura para visitação turística.

Dotti elogiou a visita de Requião ao local junto com o autor da ação judicial. “Pela primeira vez, um governante assume a responsabilidade da administração do parque, com a preocupação de preservar realmente o local”, avaliou. A Prefeitura de Ponta Grossa vai aproveitar o Plano de Uso do Parque de Vila Velha para executar um projeto de preservação do entorno do parque, uma área de aproximadamente 20 mil hectares, que é uma extensão do parque.