Tirar carteira de motorista não é tarefa simples, muito menos barata. Foi-se o tempo em que o futuro motorista aprendia a dirigir em carro particular, com pais ou amigos como professores, marcava seu próprio teste no Detran, pagava algumas taxas básicas e, se aprovado pelos examinadores, estava definitivamente habilitado a dirigir.

Atualmente, uma série de exigências, que teriam como finalidade a qualificação dos motoristas, conscientização e melhorias nas condições gerais do trânsito das grandes e pequenas cidades, acaba dificultando e encarecendo bastante o processo. No Detran, as taxas cobradas para retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) totalizam R$ 111,41. São elas: emissão de CNH (R$ 30,38), exame de sanidade física e mental (R$ 10,13), exame psicotécnico (R$ 20,26), exame teórico (R$ 30,38), licença de aprendizagem de direção veicular (R$ 10,13) e exame prático de direção (R$ 10,13), que deve ser pago a cada teste que o candidato se submete.

Em todo Estado, as auto-escolas geralmente seguem uma tabela de preços sugerida pelo Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores do Paraná. Pela tabela de 2002, uma aula teórica pode custar entre R$ 4 e R$ 8. Como o Detran exige que o candidato passe por trinta horas de aulas teóricas, o aluno pode desembolsar entre R$ 120 e R$ 240. Já as aulas práticas podem variar de R$ 20 a R$ 35. Para realizar as quinze aulas exigidas pelo Código de Trânsito, o futuro motorista terá que gastar entre R$ 300 e R$ 525.

Algumas auto-escolas também podem cobrar por determinados serviços, como matrícula (entre R$ 30 e R$ 50), marcação de reteste (entre R$ 8 e R$ 16), aluguel de carro (R$ 30 a R$ 45), acompanhamento de instrutor no dia do exame (R$ 10 a R$ 20), entre outros. Sendo assim, dificilmente uma pessoa se torna habilitada a dirigir carro ou moto por menos de R$ 500.

Futuros motoristas

Os futuros motoristas confirmam que realizar todos os procedimentos exigidos pelo Detran acaba pesando bastante no bolso. A auxiliar contábil Elza Cristina dos Santos freqüenta uma auto-escola de Curitiba e conta que, antes de se matricular, fez diversas pesquisas de preço. Por todos os serviços prestados pelo centro de formação de condutores, está pagando cerca de R$ 500. “Preciso da carteira porque tenho um bebê de três meses em casa e freqüentemente necessito de carro para levá-lo ao pediatra e a outros locais”, diz. “Meu marido também trabalha fora e achei melhor aprender a dirigir.” Ela, porém, reclama dos valores cobrados pelas auto-escolas. “Com o que eu vou gastar para tirar carteira, daria para pagar algumas prestações do carro do meu marido ou dar entrada em um carro para mim”, compara.

A professora Lídia Merege paga auto-escola para a filha e concorda. Ela matriculou a garota em um centro de formação de Curitiba no primeiro semestre do ano passado e também calcula já ter gasto cerca de R$ 500. “Comecei pagando R$ 20 pelas aulas práticas”, lembra. “Hoje, elas estão custando R$ 30, com duração de cinqüenta minutos.” Segundo a professora, a auto-escola atribuiu o aumento à alta da gasolina. “Porém sei que os carros usados pelos alunos são movidos a gás natural”, conta.