Dionei Bastos mostra as rachaduras
que voltaram a aparecer.

Um novo prazo foi dado pela Sanepar para tentar resolver o problema das famílias que foram retiradas de uma área no centro de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, em razão do aparecimento de buracos no solo provocados pela exploração de água. A empresa acredita que até dia 14 de abril terá uma posição sobre as indenizações que serão pagas às famílias.

Os moradores foram retirados das casas há um ano e meio. Hoje, eles moram em imóveis alugados pela Sanepar. De acordo com o comerciante Adel Cordeiro Pinto, que também tinha imóvel no local, o valor oferecido pela empresa representava a metade do valor venal das residências. “Estava muito abaixo do que realmente valiam as casas”, comentou.

O gerente de processos da Sanepar, Paulo Raffo, não soube informar quais eram os valores oferecidos pela empresa. No entanto, garantiu que estão estudando a contra-proposta feita pelas famílias. Esse novo prazo dado pela Sanepar para tentar resolver o impasse é o tempo hábil, segundo Raffo, para a atualização de documentos do processo. “O nosso interesse é regularizar a situação”, afirmou.

Outra reclamação feita pelos moradores é que a área interditada está abandonada, e os imóveis estão servindo de depósito de lixo e abrigo de desocupados. Segundo Adel Cordeiro, as famílias já protocolaram uma reclamação junto à Sanepar. O gerente Paulo Raffo disse que a empresa está avaliando a reivindicação, pois como o processo ainda não foi definido, a empresa não pode intervir no local.

Além das seis famílias retiradas da área – que compreende cerca de 12 mil metros quadrados localizadas entre a Avenida Emílio Jonhson e Rua Benjamim Carlesse -, a Sanepar já indenizou outros moradores que tiveram os imóveis danificados em função do problema. O aposentado Dionel Bastos Cordeiro recebeu, há cerca de três anos, R$ 43 mil da empresa para recuperar o imóvel, que apresentou rachaduras nas paredes e calçadas. Ele conta que seguiu a orientação dos engenheiros indicados pela Sanepar em relação as obras.

Mas hoje os problemas de rachaduras no imóvel voltaram a aparecer. O gerente de processos da Sanepar, Paulo Raffo, disse que a empresa tem conhecimento desse fato, e que precisa avaliar se as rachaduras foram provocadas pela movimentação do solo ou por erro nas reformas.

Aqüífero

Os primeiros sinais do problema, que resultou na interdição das casas, foram rachaduras nas paredes e calçadas. Depois de um ano, o solo começou a ceder, formando enormes buracos. A região fica no Aqüífero Karst, de onde é captada água para o abastecimento de alguns municípios da Região Metropolitana de Curitiba, às margens do Rio Pacotuba, que desemboca no Rio Barigüi. Os moradores tentaram encher as fendas com pedras. Só num local foram colocados 96 metros cúbicos de material, mas nada adiantou.

Como a situação estava comprometendo a segurança das pessoas, a Sanepar interditou a área. Hoje, o local está totalmente abandonado. As rachaduras nas paredes já provocaram o desabamento de diversas estruturas de concreto. A empresa apenas colocou placas de interdição da área, e diz que a intenção é transformar o local em um parque.

Existem vários fatores que explicam o fenômeno ocorrido em Almirante Tamandaré. Um deles é que o solo no local é formado por rochas calcárias, que tendem a se dissolver com a água. O peso das construções provoca o afundamento. Aliado a isso, estão a presença do rio e a exploração de poços que formam o aqüífero. Problemas semelhantes também foram identificados em Colombo e Campo Magro.