Procedimentos eletivos da Santa Casa de Misericórdia de Campo Mourão, na região centro-oeste do Paraná, não estão sendo atendidos desde o dia 10 de março.

O motivo é que o hospital está tentando economizar pelo menos no início do ano, já que acumulou dívidas porque atendeu mais pessoas do que podia nos últimos meses.

Segundo o diretor do local, Richard Dickerson, para se ter uma ideia da situação, o hospital chegou a atender em alguns meses de 2008 cerca de 90 pessoas a mais do que podia pagar. Isso causou um rombo no orçamento de cerca de R$ 60 mil mensais. Dessa forma, a dívida da Santa Casa já chega a R$ 1 milhão.

A Santa Casa de Campo Mourão pode atender um número limitado de pacientes, quantidade que é referente ao valor repassado pelas prefeituras que integram o Consórcio Intermunicipal de Saúde dos Municípios de Campo Mourão.

“Agora estamos tentando encontrar uma maneira de cobrar esses valores dos municípios, legalmente. Como somos prestadores de serviço, não temos como pagar esse valor sozinho, mas também foge ao orçamento das prefeituras”, disse Dickerson.

Por conta disso, tomou-se a atitude de não agendar mais pacientes que precisam de procedimentos eletivos a partir do dia 10 de março – aqueles pacientes que não têm problemas de saúde mais sérios, que não correm riscos. Até agora, segundo Dickerson, cerca de 40 pacientes foram afetados.

A Santa Casa de Campo Mourão recebe seu orçamento do município, do Estado e do governo federal. Porém, o repasse de R$ 60 mil mensais para o hospital por parte do governo do Estado está atrasado.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou, por meio de nota, que a previsão é que o repasse volte a ser feito no próximo mês, após uma reunião de negociação entre o Estado e os municípios. Essa reunião vai definir as novas formas de repasse. Segundo a SESA, neste ano vai mudar a maneira como esse repasse será realizado: antes ele era feito por meio de convênio, mas a partir deste ano será por contratos.

A reportagem de O Estado procurou a Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa) para comentar o assunto, mas o órgão preferiu não se manifestar.