Em reunião com o Ministério Público, o superintendente da Santa Casa de Londrina esclareceu ontem que o hospital irá atender somente casos de urgência e emergência, sejam esses por encaminhamento de outros órgãos ou por procura direta. O esclarecimento se fez necessário, pois com o anúncio de que a instituição iria funcionar a partir da última segunda-feira como Pronto-Socorro Referenciado causou polêmica.

Segundo o promotor de Justiça de Londrina, Paulo Tavares, na semana anterior a Santa Casa enviou um ofício ao Ministério Público informando que iria atender como Pronto-Socorro Referenciado. ?Houve um mal-entendido. Não se trata de implantar um pronto-socorro referenciado, ou seja, que atenderá somente os casos de urgência e emergência encaminhados por outros órgãos. Trata-se apenas de uma reorganização do atendimento do hospital. Eles nos garantiram que vão continuar a atender às procuras diretas, desde que sejam emergenciais?, explica Tavares. Ainda de acordo com o promotor, a preocupação que surgiu com o comunicado da Santa Casa foi de que as pessoas que chegassem diretamente no hospital não fossem atendidas.

Como esclarece o superintendente do hospital, Fahd Haddad, a instituição está se reorganizando para melhorar a qualidade dos atendimentos que competem à Santa Casa, ou seja, de alta complexidade. ?Será feita uma avaliação de risco para verificar se caracteriza ou não uma urgência. Se não for, o paciente será encaminhado para a rede pública. Na prática só não vamos atender as pessoas que podem ser atendidas nas unidades de saúde, por se tratar de casos de baixa complexidade ou ambulatoriais?, afirma.

Esses casos não urgentes chegavam a representar cerca de 70% dos atendimentos realizados pela Santa Casa. ?Esses atendimentos sobrecarregavam o hospital e atrapalhavam os atendimentos às emergências. Um paciente de caso simples que era atendido acabava tomando o lugar de um paciente em situação grave. Isso alivia bastante a nossa demanda?, explica Haddad.

O superintendente da Santa Casa diz ainda que essa mudança trouxe à tona uma discussão necessária para a região. ?Toda a rede precisa estar preparada para atender. Cada complexidade no devido local de atendimento. Além disso, ainda é preciso que a população seja conscientizada a não procurar diretamente os Pronto-Atendimentos para atendimentos ambulatoriais?, sugere Haddad.

Segundo o promotor, a atitude, agora esclarecida, é bastante coerente. ?Acho que é correto, pois reorganiza o sistema todo, cada segmento da rede do SUS. O sistema deve funcionar com essa engrenagem?, conclui Tavares.

Atendendo à rede pública em Londrina, existem 54 unidades básicas de saúde; dois pronto-atendimentos 24 horas e outros dois 16 horas; dois hospitais de média complexidade nas zonas Norte e Sul; e três hospitais de alta complexidade – o Hospital Universitário, o Evangélico e a Santa Casa.