Foto: Robson Meireles/O Estado

Redução da vazão no Rio Iguaçu fez paredões de pedra aparecerem nas Cataratas.

A falta de chuvas no Paraná é preocupante. Além de mudar paisagens de cartões-postais do Estado, como as Cataratas do Iguaçu, cuja vazão média chegou, esta semana, a 500 metros cúbicos por segundo – quando o normal é entre um e 1,5 mil metros cúbicos/s -, a estiagem provoca perda na agricultura, principalmente nas safras de trigo e milho safrinha, e põe em risco o abastecimento de água em todo o Estado. Em algumas cidades da região Norte e dos Campos Gerais, não chove há mais de 50 dias. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o Estado segue sem chuva significativa pelo menos até a primavera.

De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, há previsão de chuva nos próximos dias, mas espalhadas, rápidas e não significativas. O déficit hídrico assola quase todas as regiões e a tendência é piorar. ?As chuvas irregulares e com pouca intensidade, não serão suficientes para resolver a situação. As regiões norte e dos Campos Gerais são as que enfrentam um período maior sem grandes chuvas, mas a situação é caótica em todo o Paraná. O déficit hídrico vem desde o verão, se agravou no outono, continua e pode piorar no inverno?, afirma o meteorologista Lizandro Jacobsen. Nos Campos Gerais, o normal seria que chovesse de 80 a 120 milímetros em maio, mas choveu somente dez milímetros. ?A previsão já era de chuva abaixo da média para esta época, mas não pensávamos que seria tão acentuado?, comenta.

A escassez de chuvas também preocupa a Sanepar. Segundo o diretor de operações, Wilson Barion, nas regiões em que o problema é mais acentuado, as alternativas são os poços artesianos, mas esses também estão secando. ?Já perdemos muitos poços. Chove pouco e os lençóis subterrâneos vão se secando. O problema atinge todo o Paraná, mas as regiões sul, centro-sul, oeste e norte são mais críticas?, aponta.

Segundo ele, no Rio Itaqui, que abastece Campo Largo, a vazão está 30% menor e não consegue suprir a demanda do município. Em União da Vitória, já é possível ver ilhas de areia no Rio Iguaçu. Em Curitiba, as barragens do Piraquara, Iraí e Passaúna estão dois metros abaixo do nível de junho de 2005. ?Por enquanto, Curitiba está tranqüila em relação ao abastecimento. Porém, várias cidades do Estado, principalmente as abastecidas por rios de pequenas bacias hidrográficas, não estão tão tranqüilas assim. Se não chover nos próximos 30 dias poderá haver problema de abastecimento?, alerta Barion.

Agricultura

Segundo o Departamento Econômico Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, as safras de trigo, milho safrinha e até o feijão de segunda safra estão comprometidas pela seca. O trigo, hoje em época de plantio, está 61% semeado, ou seja, abaixo do normal. Segundo os agrônomos do Deral, a seca dificulta o plantio, crescimento do trigo, que germina ralo, e compromete o desenvolvimento das culturas. O primeiro levantamento aponta uma redução de 6% na produção de trigo do Estado. ?Na região de Jacarezinho, Paranavaí e Cornélio Procópio faz mais de 45 dias que não chove. A queda na produção deve ser ainda maior?, alerta o agrônomo Otmar Hubner. O milho safrinha, também ameaçado, pode ter uma quebra de produção maior que 5,4% e o feijão uma redução de pelo menos 5%.

Emergência

O governo federal reconheceu a situação de emergência decretada por 18 municípios do Paraná por causa da seca, que em grande parte do Estado completa dois meses. Até o final de maio, a Defesa Civil havia recebido pedido de reconhecimento de emergência de 42 municípios. Estão em situação de emergência Barracão, Bom Jesus do Sul, Bom Sucesso do Sul, Chopinzinho, Coronel Vivida, Enéas Marques, Marmeleiro, Pérola d?Oeste, Pranchita, Realeza, Renascença, Salgado Filho, Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, São João, São Jorge d?Oeste, Saudade do Iguaçu e Verê, todos da região sudoeste. O reconhecimento do governo federal permitirá que eles recebam recursos para obras emergenciais.