O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) indicou a aliados quarta-feira (24) que a corrida pelo Ministério da Educação segue embaralhada e que ele ainda não bateu martelo sobre quem vai suceder Abraham Weintraub à frente da pasta.

Após ser apontado como favorito na corrida pela sucessão ao Ministério da Educação, o nome do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, perdeu força. Integrantes do governo disseram a parlamentares nesta quarta que o presidente já descartou o nome de Feder, que se reuniu com Bolsonaro terça-feira (23).

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Entre as razões que teriam feito o secretário desidratar na bolsa de apostas está o fato de que ele foi um dos principais doadores para a campanha de João Doria (PSDB-SP) ao governo de São Paulo em 2018. Antes de assumir a Educação no Paraná, Feder administrava uma empresa de tecnologia que era sócio e faturou mais de R$ 2 bilhões em 2017.

Sem pressa

O presidente pretende ouvir outros candidatos antes de definir quem será o novo ministro. Aliados têm recomendado a Bolsonaro que não tenha pressa na decisão e deixe Antonio Vogel, atual ministro interino do MEC, o tempo que for necessário.

Vogel, inclusive, é um nome defendido por integrantes do núcleo militar. Apesar de ter sido levado ao ministério pelo próprio Weintraub, ele é considerado moderado.

Além dele, estão no páreo Benedito Aguiar, ex-presidente da Capes, ex-reitor da Universidade Mackenzie e presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ), Gilberto Garcia e Antonio Freitas, ambos ex-conselheiros do CNE (Conselho Nacional de Educação).

Especialistas apontam que Freitas tem um perfil parecido com o de Renato Feder, com uma visão de educação próxima à agenda de grupos empresariais, com interesse em uso de tecnologia e no ensino à distância. No entanto, o educador tem mais experiência no setor, a frente de instituições de ponta.

Atualmente é pró-reitor da FGV.Garcia, também do CNE, foi reitor da Universidade Católica de Brasília. Ao contrário dos demais, tem uma formação mais ligada ao ensino de religião e filosofia.

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O presidente já demonstrou também interesse em nomear Sérgio Sant’Anna, assessor especial do MEC, e aliado de Weintraub. O nome dele tem o apoio de alunos do escritor Olavo de Carvalho.

Segundo olavistas, porém, o próprio Sant’anna teria resistência em aceitar o convite. Fora isso, de acordo com integrantes do núcleo ideológico do governo, o perfil dele é ainda mais agressivo do que o de Weintraub.

Da mesma forma, Ilona Becskeházy, secretária de Educação Básica, também apoiada por olavistas, chegou a ser sondada pelo governo, mas recusou a proposta.

O nome de Carlos Nadalim, secretário de Alfabetização do MEC, também surgiu inicialmente com força, mas agora perdeu espaço no debate.

Nadalim é um grande crítico do educador Paulo Freire e muito ligado com a ala ideológica do governo. Por isso mesmo sua nomeação é vista com ressalvas, por causa da perspectiva da manutenção da animosidade com os outros poderes da Esplanada, a exemplo do que acontecia com Abraham Weintraub.

Na quinta-feira da semana passada, o presidente Jair Bolsonaro e Weintraub gravaram um vídeo para anunciar sua saída do MEC.

A gestão do ex-ministro foi marcada por um forte caráter ideológico, além da difícil convivência com o Congresso, em um momento de extrema importância por causa da tramitação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Weintraub também passou a ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no inquérito de fakenews.


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