Depois de virar abrigo de moradores de rua e usuários de drogas, a sede da União Paranaense dos Estudantes (UPE), no bairro São Francisco, foi lacrada pela prefeitura na tarde de ontem. A instituição alega estar pedindo providências há vários meses, por não ter segurança no prédio que já sofria com furtos, arrombamentos e roubos.

A situação piorou no final do ano passado, quando os poucos frequentadores da UPE que iam à sede entraram em férias. Cerca de 30 pessoas invadiram o local e tomaram conta do casarão histórico. Móveis, documentos, fiação, paredes, tudo foi destruído em poucos dias.

Apenas ontem a prefeitura retirou os moradores que ainda ficavam durante do dia na casa. Para evitar novas invasões foram lacradas duas portas do casarão cedido pela prefeitura em forma de comodato. Mas ainda assim, a UPE teme que os invasores retornem. “Não temos condições de pagar um segurança para ficar aqui. Já chamamos a polícia, a guarda municipal e ninguém podia fazer nada. Ainda bem que a prefeitura veio para lacrar”, comenta José Le Senechal Neto, primeiro secretário da entidade.

Dívidas

Segundo Neto, a União não consegue nem mesmo pagar as contas básicas para manter a sede em funcionamento. Com dívida de quase R$ 500 mil, esperam a parceria com a prefeitura para conseguir preservar o imóvel. No próximo dia 30, os estudantes terão reunião com Itamar Abib Neves, chefe de gabinete do prefeito Gustavo Fruet.

Local vira ponto de drogas

Mas no que depender da vizinhança, o casarão não deve ficar nas mãos da UPE. Cansados do descaso com o local, os vizinhos querem que a prefeitura transforme a sede em espaço cultural. “Quando a sede era usada pelos estudantes também tínhamos problemas, eram festas até de manhã, garrafas atiradas na rua. Agora isso aqui virou ponto de drogas. Não sabemos mais o que fazer”, diz uma moradora que, por medo de represálias, não quer ser identificada.

Felipe Rosa
Festas incomodam vizinhos.

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