Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão acampados desde ontem de manhã em frente às Prefeituras de Cândido de Abreu e Pitanga (região central do Estado) para cobrar melhorias em assentamentos da região. Cerca de 900 pessoas participam das manifestações. Eles querem a presença de algum responsável do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e, se possível, de outros órgãos para negociar.

Os trabalhadores rurais querem a liberação de créditos de investimentos para plantio de lavouras e infra-estrutura de moradia, estradas, energia elétrica e água encanada para os assentamentos. Também pedem a desapropriação de áreas que estão em processo de negociação e alimentação e lonas para famílias acampadas em beiras de estradas. Em Pitanga, cerca de 250 pessoas estão acampadas na Praça Centro Administrativo 28 de Janeiro, em frente à Prefeitura. Já em Cândido de Abreu, os 650 manifestantes armaram as barracas na rua.

?Queremos a melhoria das estradas dentro dos assentamentos e as que ligam à cidade. Isso atrapalha até a educação, já que o transporte disponibilizado pela Prefeitura é precário. Não chega a todos os locais?, afirmou o coordenador regional do MST em Pitanga, Ademir de Lima. As reivindicações são tanto para o Incra quanto para a Prefeitura. ?Do Incra queremos infra-estrutura e que os projetos para os assentamentos da região saiam do papel?, explicou. A reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Pitanga.

Em Cândido de Abreu os pedidos são parecidos. Segundo o coordenador local, Aldecir de Lima, os trabalhadores rurais querem que o Incra regularize o assentamento Vila da Conquista, que já foi comprado há oito anos. ?Por causa disso, os trabalhadores não conseguem crédito?, reclamou Lima. Outro problema é o assentamento Laguicha, que segundo os membros do MST já foi desapropriado, mas o Incra não iniciou o processo de criação do assentamento. No assentamento Santa Fé, segundo Lima, só faltaria o pagamento.

Os manifestantes de Cândido de Abreu pedem ainda melhorias em assentamentos de Manoel Ribas (também na região central) e fornecimento de cestas básicas e lonas para acampados na cidade. ?Queremos que representantes do Incra, da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e do Banco do Brasil venham conversar com a gente. Enquanto eles não vierem, não vamos sair da frente das prefeituras?, informou Lima.

Incra

O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que conhece a pauta de reivindicações do MST e que muitos dos pontos já estão sendo atendidos. No entanto, por causa da greve do Incra, os processos estão parados. Lacerda tem uma viagem marcada para Jardim Alegre (também na região central) amanhã. Há possibilidade de se reunir com os manifestantes.