As famílias sem-teto que estão desde o dia 7 de junho na antiga sede do Banestado, no centro de Curitiba, terão de deixar o local. O juiz da 14.ª Vara Cível, Luciano Carrasco Falavinha Souza concedeu no último dia 21 mandado de reintegração de posse à massa falida do Banestado.

A secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp) informou ontem, através de assessoria de imprensa, que está definindo a operação de retirada. Mas antes uma comissão de mediação será enviada ao local, na tentativa de buscar uma desocupação pacífica. A comissão será formada por membros da Sesp e da secretaria estadual do Trabalho e Promoção Social. “Deve ser dado prazo para se retirarem e vamos aguardar”, informou a assessoria, salientando que “o mandado será cumprido”.

Histórico

Na madrugada do dia 7 de junho, cerca de 40 famílias de sem-teto ocuparam o prédio vazio do antigo Banestado, localizado na Avenida Marechal Deodoro, n.º 333. O grupo era coordenado pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia(MNLM), e a promessa, na época, era de deixar o local apenas com a apresentação de um projeto de assentamento urbano por parte da Prefeitura.

Segundo estimativa do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, há pelo menos 100 mil famílias na Região Metropolitana de Curitiba sem moradia regular. “Queremos uma reforma urbana, negociar um assentamento urbano, já que a Prefeitura de Curitiba não tem política habitacional para os pobres”, apontou Anselmo Schwertner, coordenador do MNLM. No início deste mês, o grupo invadiu o prédio da Cohab, exigindo providências. Segundo Schwertner, “cerca de 10% dos imóveis de Curitiba são ociosos, não cumprem papel social, enquanto 10% da população mora na periferia da periferia”.