A resistência ao apelo às drogas foi o tema principal de uma palestra ontem na Câmara Municipal de Curitiba. O evento faz parte de um ciclo de debates sobre a prevenção às drogas e cidadania promovido pelo vereador André Passos (PT). A proposta desses debates é incentivar ações que levem à redução no consumo, principalmente entre os jovens e adolescentes.

Para a psicóloga da comissão de dependência química do Conselho Regional de Psicologia, Sandra Goreti Moraes, pesquisas feitas por institutos de saúde demonstram que o consumo de drogas entre os jovens vem aumentando na região Sul dos País nos últimos anos. Isso está associado aos riscos que essa clientela está exposta. Entre eles, principalmente, a falta de estrutura familiar, dependências químicas na família, transtornos mentais e questões sociais.

Segundo Sandra, um tratamento de dependência não é eficiente se não forem tratadas as causas que levem ao vício. “Se o uso foi potencializado por problemas como depressão ou transtornos de conduta, o tratamento nunca será eficiente se esses problemas também não forem tratados”, disse, apontando a internação como uma das formas menos indicadas na recuperação. “É necessário um diagnóstico bem feito para se indicar o tratamento, já que a internação só deve ser aplicada quando há risco de morte ou necessidade de cuidado intensivo.”

As campanhas antidrogas feitas de forma isolada, avalia a psicóloga, não tem efeito significativo no combate ao uso. Segundo ela, é preciso fazer um trabalho efetivo, envolvendo governos, escolas e pais. “Não adianta pôr uma propaganda antidrogas e outra de cerveja na televisão. Isso não resolve”, exemplificou. Para ela, os professores têm um papel fundamental nesse processo, já que muitas vezes são o modelo dentro da sala de aula. “Para isso, é preciso que se invista na capacitação e conscientização desses profissionais, que são formadores de opinião”, finalizou.