Esta é a época de maior incidência.
Parque Estadual também foi atingido.

O clima seco, típico nesta época do ano, está provocando uma série de focos de incêndio especialmente na região dos Campos Gerais. Dados do Corpo de Bombeiros de Ponta Grossa apontam que até a última sexta-feira houve 53 ocorrências na região no mês de agosto, com a destruição de 44,92 hectares – incluindo vegetação rasteira, floresta nativa, reflorestadas e não florestais. No balanço não está contabilizado o incêndio ocorrido no Parque Estadual da Vila Velha no domingo, quando o fogo atingiu 279 hectares – quase 10% do parque que tem aproximadamente 3 mil hectares.

“Existem alguns rescaldos, mas a situação está controlada”, afirmou ontem o secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, depois de sobrevoar a área com helicóptero. Ele lembrou que a região dos Campos Gerais está sujeita a focos de incêndio, considerado uma “decorrência natural”. “Queimou araucárias, claro, além de eucaliptos, pinus, mas como foi uma queimada natural, não houve grandes prejuízos”, falou. Segundo ele, o Parque de Vila Velha conta com uma brigada voluntária treinada em seu redor, além da presença da polícia florestal. “O vento forte fez com que o incêndio de domingo se espalhasse com rapidez pouco comum”, explicou o secretário sobre a área atingida.

Sobre a possível reabertura – o parque está fechado desde janeiro de 2002, por ordem judicial – , o secretário afirmou que o local vai passar por processo de licitação nas áreas de guarda e transporte interno. “A expectativa é poder reabrir entre setembro e outubro próximos”, anunciou.

Incêndio de 6 horas

De acordo com o tenente Marcelo Godoy da Silva, relações-públicas do CB de Ponta Grossa, o fogo que atingiu o Parque de Vila Velha começou por volta das 14h e o encerramento aconteceu por volta das 22h15. Segundo ele, 18 homens do CB trabalharam no combate ao incêndio, com seis viaturas, além do apoio da polícia florestal, rodoviária, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Prefeitura municipal.

Desde o início do ano, foram queimados 168,23 hectares na região de Ponta Grossa – quase a metade da área atingida apenas no domingo em Vila Velha. As vegetações mais atingidas foram cultura agrícola (30,61%), seguida por área de reflorestamento (23,09%), vegetação rasteira (16,26%) e floresta nativa (11,99%).

Omissão

Para a ambientalista Zuleica Nycz, da Rede de ONGs da Mata Atlântica, o incêndio ocorrido no Parque de Vila Velha é decorrente da omissão das autoridades. “Há três anos, quando o Conselho Gestor se reuniu, ficou decidido que poderia ser feita a revitalização no parque, desde que fossem implantadas ações emergenciais, entre elas a instalação e uso de equipamentos contra incêndio, mas até hoje nada foi feito”, acusou Zuleica. Segundo ela, “tanto o secretário (do Meio Ambiente) como o presidente do IAP vêm se omitindo.” “Eles dão ênfase ao aspecto da exploração turística, mas se esquecem que se trata de um local de preservação ambiental”, lamentou. Outro problema, cita ela, é a falta de sinalização no local. “Há uma BR que corta o parque, e lobos-guarás morrendo todo ano, porque não há placas no local, um sistema, que proíba a alta velocidade.”