Foto: Lucimar do Carmo

Dezenas de servidores protestaram ontem na Prefeitura.

Professores e funcionários da educação de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, promoveram ontem uma manifestação em frente à sede da Prefeitura. Os trabalhadores se dizem surpresos com a administração municipal, que teria aceito uma pauta de reivindicações dos trabalhadores, durante uma reunião no mês de junho, e agora voltou atrás. Eles também reclamam que, pela grande quantidade de funcionários comissionados trabalhando no município, a Prefeitura não tem condições de dar reajuste salarial aos educadores.

De acordo com a diretora da Associação dos Servidores Municipais em Educação de Fazenda Rio Grande (Asmef), Tainara Maria Mota, há menos de um mês eles se reuniram com representantes do Executivo para discutir uma pauta com 21 itens, que foram aceitos quase de forma integral pela administração municipal. ?Para nossa surpresa, no dia 2 de julho eles mandaram uma minuta rejeitando 12 pontos da pauta de reivindicação?, falou. Entre os pontos que ficaram de fora, diz Tainara, estão a gratificação para professores com curso superior, bolsa-auxílio e readequação funcional dos guardiões.

A diretora da Asmef comentou ainda que os trabalhadores estão descontentes pela impossibilidade da Prefeitura de conceder reajuste salarial. Essa condição teria sido atestada pelo próprio Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que fez um levantamento das contas da Prefeitura. ?Isso acontece porque o município gasta 31% do seu orçamento com comissões e gratificações?, falou. Com isso, diz Tainara, Fazenda Rio Grande tem um dos menores salários pagos a professores da Região Metropolitana: uma média de R$ 465 por 20 horas. ?Isso faz crescer a evasão de professores para outras cidades da região, deixando o quadro de funcionários cada vez mais defasado?, declarou.

O gerente municipal de gabinete da Prefeitura, Tércio Albuquerque, afirmou que a administração sempre esteve aberta para conversar com os trabalhadores e que a Prefeitura atendeu a todas as reivindicações que foram possíveis. ?Mas existem pontos que esbarram na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que não poderemos atender de imediato?, comentou.

Albuquerque confirmou a impossibilidade de reajuste salarial, mas rebateu o número de funcionários comissionados, que teriam sido reduzidos de 230 para 80. Quanto ao valor dos salários pagos aos educadores, o gerente disse que isso é uma realidade em função da baixa arrecadação do município, que faz com que a cidade tenha uma das mais baixas rendas per capita da região, que chega a R$ 3,14, enquanto em Araucária, por exemplo, é de R$ 12.