As florestas com araucária (árvore símbolo do Estado) e os campos originais do sul do Paraná e do norte de Santa Catarina estão sendo explorados indiscriminadamente. A denúncia foi feita, ontem, por organizações não-governamentais ambientalistas que alertam para os perigos decorrentes desse desmatamento. A região de Palmas é onde se concentra a maioria das florestas remanescentes de araucária no Estado. Hoje, apenas 0,8% da cobertura original de mais de 8 milhões de hectares, cerca de 66 mil hectares, ainda é encontrada em bom estado de conservação.

O coordenador institucional da ONG Liga Ambiental, Tom Grando, explicou que após a publicação, em dezembro passado, de duas portarias do Ministério do Meio Ambiente que pretendiam criar duas Unidades de Conservação na região, os madeireiros começaram a explorar ainda mais as reservas existentes. “Os proprietários temendo perder suas terras começam a explora-las ao máximo”, explicou, destacando que a interpretação desses proprietários sobre as portarias é errônea. “As portarias acabaram virando pretexto para justificar o que já vem sendo feito há muito tempo”, disse. Grando alertou também sobre a má conservação do solo. “Essa situação acaba refletindo sobre a água”, explicou.

Incentivo

O diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação ambiental (SPVS), Clóvis Borges, destacou que as ONGs constataram necessidade de incentivo para quem preserva a floresta com Araucária. Hoje, muitas madeireiras alugam essas terras, utilizam a mata nativa e depois replantam espécies exóticas, como pinus, que tem impacto negativo ao meio ambiente. Borges destacou que é o governo estadual quem deveria incentivar fiscalmente as empresas que ajudassem a preservar as matas. “Grandes empresas poderiam ?adotar? áreas de florestas por determinado tempo. Com isso seus proprietários não as degradariam. Em contrapartida essas empresas poderiam ter benefícios fiscais. Um exemplo a ser seguido pode ser o molde da lei de incentivo à cultura”, revelou. Borges destacou ainda que a importância das matas com araucária e dos campos é rigorosamente a mesma.

Peixes morrem devido ao vazamento de ácido

Quatro espécies de peixes dos rios da Santa e São João, próximo ao município de Garuva, em Santa Catarina morreram por causa do vazamento de ácido fosfórico ocorrido anteontem. A mortandade foi descoberta ontem, por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, durante monitoramento. De acordo com os técnicos o total de peixes mortos chega a quinze quilos.

O acidente ambiental foi provocado pelo vazamento de cerca de 16 mil litros de ácido fosfórico em uma vala de acesso aos rios, em razão do tombamento de um caminhão da Transportadora Simonetti, na curva da Santa, no quilômetro 671 da BR-376.

O secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, determinou que o coordenador de acidentes ambientais do IAP, Cláudio d?Oliveira, oriente as atividades durante mais alguns dias. A preocupação dos técnicos do IAP está em orientar a população local que não faça uso da água para consumo próprio, pesca ou banho.

O diretor-presidente do IAP, Rasca Rodrigues, editou a Portaria 120/2003, que proíbe, de 25 de julho a 1º de agosto, qualquer atividade de pesca, coleta de organismos aquáticos, uso de água ou práticas desportivas que impliquem em banho ou contato com água no Rio da Santa e no Rio São João. Em alguns pontos dos rios atingidos a análise do ph (índice de acidez) mostrou-se normal, o que significa que o ácido fosfórico diluiu bastante na água. Apesar disso, não estão afastados os riscos.

Segundo d?Oliveira, a população deve esperar a ocorrência de uma chuva forte para poder voltar a utilizar os rios. Os técnicos do IAP também acompanharam os trabalhos de retirada da cal utilizada para absorção do ácido na pista e também na vala atingida. O material foi depositado em recipientes apropriados e será encaminhado à empresa Essencis, em Curitiba.

Novas coletas de efluentes, água e solo foram realizadas. Os peixes mortos foram encaminhados para laboratório. Os resultados levam de uma a duas semanas para serem concluídos. Somente após conclusão dos laudos e do relatório sobre o acidente, o IAP deverá aplicar multa.