Motoristas e cobradores do transporte coletivo de Curitiba protestaram nesta segunda-feira (18) contra o projeto de lei em tramitação que pretende acabar com a cobrança das passagens em dinheiro no transporte coletivo da capital. O ato ocorreu em frente à Câmara Municipal e contou com a presença de cerca de 200 trabalhadores. Os manifestantes realizaram um abraço simbólico na Casa e a categoria também distribuiu currículos fictícios de cobradores aos vereadores da Câmara.

Para o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ânibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), a proposta é “irresponsável”. “Nós vemos em outras cidades em que foi retirado o cobrador e não houve redução da tarifa. O que aumentou foi o lucro das empresas”, criticou o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira. Durante assembleia realizada antes da manifestação, os trabalhadores decidiram não promover paralisações.

Troca proibida

Além do projeto que prevê a ampliação gradativa do uso exclusivo do cartão-transporte no transporte coletivo e a execução de um plano para capacitar e recolocar os cobradores no mercado de trabalho, alvo das críticas dos manifestantes, há outro projeto envolvendo o pagamento da tarifa em tramitação na Câmara. O projeto de autoria dos vereadores Chicarelli (PSDC) e Rogério Campos (PSC) restringe o uso exclusivo do cartão transporte a micro-ônibus. A proposta foi protocolada na semana passada, mas na segunda-feira (18) recebeu uma modificação em seu texto.

Os autores incluiram na proposta a expressão “proíbe a troca da função cobrador por cartão transporte” ao invés de “restringe a troca”, como estava escrito anteriormente. A justificativa para o projeto foi mantida, argumentando que a função do cobrador é “mais complexa” do que apenas manusear o troco e validar o cartão transporte. “Fora isso, os cobradores atuam no auxílio sobre o trajeto e pontos de parada, acionam os equipamentos de elevador para pessoas com deficiência e auxiliam o motorista no momento do desembarque, para fechar as portas”, afirma a justificativa. “A máquina não pode substituir o ser humano. Quase 3 mil trabalhadores seriam desalocados no mercado de trabalho”, completa. É previsto o prazo de 90 dias para a lei vigorar, caso o projeto seja aprovado na Câmara e sancionado ou promulgado.

A Urbs já informou, por meio da assessoria de imprensa, que não comenta projetos em tramitação no Legislativo. O órgão informou que existe um estudo para incentivar o uso do cartão-transporte para reduzir o volume de dinheiro circulando no sistema, mas que isso não inclui a exclusividade de pagamento com o documento.

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