Quem caminha pelas ruas da Vila Izabel, em Curitiba, não imagina o drama vivido por moradores e comerciantes. A aparência tranquila do bairro esconde um dia a dia de medo e insegurança. Furtos, invasões de residências, assaltos à mão armada… Em cada esquina sobram relatos sobre a violência que assusta e atinge quem reside ou trabalha na região.

A equipe dos Caçadores de Notícias percorreu parte do bairro e não teve dificuldades em encontrar pessoas que já sofreram com a ação dos criminosos. Já na primeira loja visitada, na Rua Ulysses Vieira, encontramos o proprietário preenchendo um boletim de ocorrência, com a descrição de um furto ocorrido na manhã de ontem. “Desta vez levaram apenas a máquina de cartões. Três meses atrás, apontaram uma arma para o meu rosto e limparam o caixa”, diz o comerciante, que prefere não se identificar.

A uma quadra dali, uma distribuidora de gás mudou de administração há pouco tempo. “O dono anterior foi assaltado duas vezes. Por causa do prejuízo, desistiu do negócio. Resolveu vender o comércio e foi embora até de Curitiba”, conta Walter dos Santos Junior, o novo proprietário.

Em três meses na Vila Izabel, Walter tem conseguido afastar os bandidos com investimento em equipamentos de segurança. “Comprei câmeras, alarme, instalei uma cerca mais alta e contratei monitoramento 24h”, afirma. Mas apesar do pouco tempo no bairro, ele já perdeu a conta de quantas casos de assaltos já ouviu. “Todo dia tem uma nova história de alguém que foi roubado.”

Quem está no bairro há mais tempo diz que a situação nem sempre foi a mesma. “De uns dois anos para cá a coisa piorou muito. Antigamente tinha polícia que vinha no nosso bairro. Agora a gente não vê viatura nenhuma, tá cada vez pior. Este ano eu fui assaltado duas vezes. Na última, há um mês, roubaram os clientes e levaram R$ 400 do caixa”, diz Paulo Roberto Hobold, que há seis anos é proprietário de uma panificadora na Rua Tabajaras.

Faroeste

Apesar das queixas sobre a falta de viaturas nas ruas, a polícia não está ausente. Na região estão instalados a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, o 9.º Distrito Policial, a Escola Superior de Polícia Civil e a sede do Grupo Tigre. “Mesmo assim não tem policiamento suficiente. Se a gente liga, demora duas ou três horas até a polícia aparecer”, relata Alceu Romanhuk, dono de uma pizzaria assaltada duas vezes em pouco mais de um ano.

Ao invés de segurança, a presença das delegacias muitas vezes significa ainda mais medo. “As carceragens estão superlotadas. Quando há notícia de uma fuga, vira uma cena de faroeste. Todo mundo se tranca e as ruas ficam vazias. Estamos mais presos que os bandidos”, constata Walter dos Santos Junior, cercado pelo arame cortante que envolve sua distribuidora de gás.

Confira no vídeo o relato de comerciantes do bairro.