Técnicos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-Cara-Roxa, iniciativa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), iniciam hoje um censo para identificar o número de indivíduos da espécie em sua única região de incidência no mundo, um trecho que vai do litoral sul de São Paulo ao litoral norte de Santa Catarina.

A contagem dos papagaios, que acontece até domingo, faz parte das metas do programa para os próximos dois anos e deverá ser repetida outras vezes. A primeira será neste fim de semana, depois haverá outra em outubro. Em 2004, as verificações serão nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Por fim, haverá ainda contagens em janeiro e abril de 2005. Estão previstas contagens na tarde de hoje, manhã e tarde de amanhã e na manhã de domingo, sempre por volta das 6h e às 16h30, que são os horários em que há revoadas nos locais usados como abrigo para dormir.

O trabalho será executado simultaneamente no litoral do Paraná, pela SPVS, e no litoral de São Paulo, pelo Instituto de Biologia da Conservação (IBC). Dez técnicos da SPVS e mais 26 voluntários do curso de biologia da PUC-PR se espalharão pelos principais pontos de ocorrência no Paraná, de Superagüi a Guaratuba. Antes de iniciar o censo, os técnicos já haviam feito uma prospecção para identificar as áreas de dormitório e maior fluxo de aves, em dez ou doze pontos do litoral do Paraná. Em Guaratuba, por exemplo, foram detectados menos de vinte indivíduos. Pescadores da região relataram existir há pouco tempo mais de mil papagaios neste ponto, que fica na baía de Guaratuba.

Outras metas

O projeto prevê o cumprimento de outras metas ao longo dos próximos dois anos. Uma delas é a tentativa de reprodução do papagaio-de-cara-roxa em cativeiro, iniciativa inédita no país. Em parceria com o Zoológico Municipal de Curitiba, a SPVS construiu recintos exclusivos para abrigar seis casais da espécie, que ficam isolados da área de visitação do Zôo, garantindo privacidade e tranquilidade a essa espécie, ameaçada de extinção. Monogâmicos, os papagaios-de-cara-roxa ficam com um mesmo parceiro toda a vida, e permanecem sozinhos se o outro morre.

Outra meta é monitorar o deslocamento da ave em seu habitat natural e identificar os locais utilizados para alimentação, reprodução e dormitório o que permitiria criar novas áreas de preservação. No próximo período reprodutivo, de outubro a março, quinze filhotes de papagaio receberão rádio-colares, equipamento que pesa 8 gramas e possibilita esse acompanhamento.

A comunicação e a educação ambiental, envolvendo as comunidades das regiões de Antonina e Guaraqueçaba, também aparecem como importanes componentes do projeto, bem como campanhas contra o tráfico de animais e o incremento ao ecoturismo na região como uma das formas de gerar alternativas de renda para a comunidade local e garantir a preservação do papagaio.