A detecção do subtipo H1N2 do vírus Influenza A, transmitida de porcos para humanos, em uma menina de 4 anos de Rebouças, no Centro-Sul do Paraná, ocorreu após a equipe médica que atendia a paciente suspeitar tratar-se de um caso de covid-19. Isso porque os sintomas da gripe causada pelo H1N2 são os mesmos da infecção pelo novo coronavírus e comuns a outros quadros síndrome respiratória: febre, coriza, dor de cabeça e dificuldade para respirar.

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A criança, cujo pai trabalha na criação de suínos, já está recuperada. Mesmo assim, a menina e 16 familiares seguem sendo monitoradas por equipes de saúde de Rebouças, bem como as criações de porcos da região. Por ser uma mutação rara do vírus Influenza A, o caso foi notificado ao Ministério da Saúde. Como o H1N2 é um vírus com potencial pandêmico, o Ministério da Saúde tem que notificar o caso à Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como parte do protocolo estadual de vigilância epidemiológica, uma amostra da secreção da criança foi coletada em 16 de novembro para análise do Laboratório Central do Estado (Lacen), que já confirmou mais de 8,4 mil casos de covid-19 no estado. No exame RT-PCR do Lacen, foi confirmado que o vírus que infectou a menina não era o SARS-CoV-2, causador da covid-19, mas sim o Influenza A, causador da gripe.

Entretanto, segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), a médica Acácia Nasr, o que chamou a atenção é que o causador da infecção era um subtipo do Influenza A não identificável pelo sistema do Lacen. “Nesses casos, a amostra é enviada para a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], no Rio de Janeiro, para a realização do sequenciamento genético”, explica Acácia. O resultado do exame da Fiocruz identificou o subtipo H1N2 quase um mês após a coleta da amostra, no dia 15 de dezembro, quando a criança já estava recuperada.

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O tratamento dispensado à paciente foi o padrão para uma gripe sazonal, à base de antitérmico e analgésico. Apesar de não haver evidências da transmissão do subtipo viral entre humanos até o momento, as medidas de prevenção a qualquer vírus respiratório também devem ser as mesmas que hoje estão bastante difundidas no combate ao novo coronavírus. “Ou seja, ventilação de ambientes, distanciamento social, uso de máscara, higienização de mãos, isolamento de pacientes infectados, etiqueta respiratória, que é cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, e assim por diante”, explica Acácia.

O caso de Rebouças é raro, e a transmissão ocorreu porque houve uma mutação do vírus que o permitiu infectar infectar a menina. A suspeita é de que a criança tenha tido contato com a saliva de um porco infectado. “É possível que uma nova mutação torne o vírus transmissível entre humanos, mas até hoje não há evidências de que isso tenha ocorrido”, diz Acácia.

Sistema de Vigilância

Esse foi o segundo caso de H1N2 detectado em humanos no Paraná apenas em 2020 – o terceiro do Brasil até hoje. Em julho, uma mulher de 22 anos que trabalha em um frigorífico se recuperou bem da infecção em Ibiporã, no Norte do Paraná. O primeiro caso detectado no país foi em 2016 e em 2005 a OMS emitiu um alerta sobre o vírus após 26 pessoas se infectarem no mundo naquele ano, a maioria com quadros leves.

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Para Acácia, o sistema de vigilância Sentinela, que conta com uma rede de 34 serviços de saúde para atendimento de síndrome gripal, foi o que permitiu que um subtipo raro de vírus fosse detectado na área rural de uma cidade do interior. “Não é que esses casos ocorram mais no Paraná, mas a sensibilidade para identificação aqui é maior”, avalia.

No início do ano, o então secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, classificou a rede de monitoramento e vigilância de síndromes gripais e síndromes respiratórias agudas graves do Paraná como a melhor do Brasil.

A partir da identificação do caso, a Sesa investiga a possibilidade de outras contaminações pelo H1N2 no mesmo período. O Lacen já recebeu amostras de moradores da região onde vive a menina que tenham apresentado sintomas de gripe no período de até dois meses antes da detecção do vírus estão sendo reanalisados. Além disso, uma força-tarefa formada por Vigilância Sanitária do Paraná, Lacen, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura e Fiocruz acompanha o caso.