O impasse terminou. A partir da 0h de amanhã, os passageiros de Curitiba e Região Metropolitana vão pagar R$ 1,90 para se locomover de ônibus na Rede Integrada de Transporte. O anúncio foi feito na tarde de ontem, na sede da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), pelo presidente da entidade, Sérgio Tocchio.

Ele explicou que a decisão foi tomada somente após várias reuniões com a Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec), com o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi e com os vereadores, buscando a solução para que não houvesse a desintegração do sistema. Com o novo valor, uma pessoa que utiliza dois vales-transporte por dia e trabalha cinco dias na semana deve gastar cerca de R$ 70 por mês somente com o transporte coletivo. “Somente com esse valor o sistema vai continuar funcionando normalmente”, disse o presidente da Urbs.

O valor da tarifa é o mesmo que foi decretado por Taniguchi no dia 25 de janeiro, estopim do imbróglio envolvendo Comec e Urbs. Desde essa data, o assunto esteve em pauta e foi amplamente discutido pelos dois lados. O novo valor foi determinado com base na planilha de custos, analisada pelos técnicos da Urbs e que apresenta, entre outros itens, a manutenção e renovação da frota, a variação do preço dos combustíveis e os custos com pessoal.

Essa mesma planilha passou por uma avaliação dos técnicos da Comec e do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, que um dia após o anúncio do aumento da passagem, revogou o decreto de Taniguchi. Com a divergência da Comec com relação ao cálculo da tarifa, a decisão do novo reajuste foi sendo aliada.

Em fevereiro, ainda sem uma solução, Taniguchi anunciou a desintegração financeira do sistema, dando à Urbs somente a administração das linhas urbanas da capital, com o valor de R$ 1,70. As linhas metropolitanas ficaram a cargo da Comec, vinculada ao governo do Estado. Na época, o prefeito e o presidente da Urbs alegaram que a RIT não poderia ser controlada financeiramente sem o reajuste da tarifa para R$ 1,90. Os passageiros da RMC continuaram pagando o valor antigo, de R$ 1,65.

O problema só foi solucionado quando a Comec, através de um ofício assinado pelo governador Roberto Requião, repassou nas primeiras semanas de março a responsabilidade para a Urbs de controlar novamente todo o sistema de transporte coletivo da região, podendo decidir qual seria o novo preço da passagem.

Mais cara

Apesar de ser a tarifa de transporte coletivo mais cara do País, o presidente da Urbs ressalta que a medida é necessária para manter a qualidade do sistema.

“A Comec concordou com o novo valor para que não exista a possibilidade de desintegração do sistema. Muitos questionam que o valor é alto demais, mas o serviço prestado em Curitiba é o melhor do País. As demais capitais têm passagem mais baratas mas não se pode fazer um comparativo”, alegou Tocchio. Ele afirmou ainda que o novo valor não está embutido na previsão de pagamento do déficit da entidade, que está em cerca de R$ 40 milhões. “Nós acumulamos prejuízo desde 1969. O que as pessoas não enxergam é que esse valor abrange todos os custos da planilha. Nas outras capitais, existem secretarias que são responsáveis pelos materiais, limpeza e custos pessoais. Aqui, é a Urbs quem arca com tudo”, finalizou Tocchio.