Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Carreata em protesto contra a violência
seguiu do Boqueirão ao Palácio Iguaçu.

A partir da próxima terça-feira, o serviço de táxi de Curitiba terá os preços majorados. O valor da bandeirada, que é o valor inicial da corrida, passará de R$ 3,20 para R$ 3,40. O último reajuste da bandeirada ocorreu em janeiro de 2003.

A correção nos valores do serviço de táxi em Curitiba cobre os custos de manutenção do veículo, combustíveis, lubrificantes, pneus, salários e impostos. O reajuste concedido é menor do que o índice solicitado pelos representantes dos taxistas, que queriam uma correção de 12%. A inflação acumulada do período, de acordo com o INPC, foi de 14,67%.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas, Pedro Chalus, o reajuste da tarifa é muito necessário. “Estamos há quase dois anos com a mesma tabela que está muito defasada. Tivemos muitas perdas principalmente na bandeira 2. Agora vamos recuperar uma parte dessas perdas”, disse Chalus.

Segundo a classe, os acessórios, o combustível e a manutenção do veículo estão onerando o serviço. “Para se ter uma idéia, eu comprei um Verona novo em 95 e paguei R$ 13 mil. Hoje, um Santana, similar ao Verona que já saiu de linha, custa R$ 30 mil”, comparou o presidente do sindicato.

O valor do quilômetro rodado na bandeira 1, que funciona das 6h às 20h de segunda a sexta-feira, passará a valer R$ 1,40. Atualmente o valor é de R$ 1,30. A bandeira 2, que vale das 20h até às 6h do dia seguinte nos dias úteis e nos finais de semana, a partir das 13h de sábado até às 6h de segunda-feira, custará R$ 1,80. Nos domingos e feriados deve ser usada a bandeira 2 durante todo o dia. A diferença da bandeira 1 para a bandeira 2 continua sendo de 30%.

Também será alterado o valor da hora parada, que passará a valer R$ 24. Desde julho de 1996, a hora parada, que hoje é de R$ 14,75, não era corrigida. Esse foi um dos pedidos encaminhados à Urbs pelas oito centrais de radiotáxi, Sindicato das Empresas de Táxi do Paraná e Sindicato dos Taxistas, que representa os permissionários autônomos.

Novas bandeiras

Atendendo a um pedido feito também pelos representantes dos taxistas, nos próximos dias, a Urbs emitirá uma instrução normativa autorizando os taxistas que quiserem alterar ou substituir no seu taxímetro a nomenclatura bandeira 1 e 2 por bandeiras A, B e R. A bandeira A será equivalente à bandeira 1. A bandeira B substituirá a bandeira 2 e a bandeira R será usada sempre que o passageiro estiver usando o serviço fora de Curitiba.

De acordo com a solicitação dos representantes dos taxistas, os nomes bandeira 1 e 2 sugere a cobrança de valor em dobro para a bandeira 2 em relação à bandeira 1, o que não ocorre na prática. Com a mudança de valores, a corrida na bandeira 2 será 30% maior do que a praticada na bandeira 1. “Há desconfiança do usuário em relação às bandeiras e com essa mudança vai ser mais fácil informar que a diferença de preço não é o dobro, e sim 30% . A segurança desse taxímetro também é muito grande, pois a mudança da bandeira é automática e não causa dúvidas”, explica o presidente da Central de Radiotáxi Sereia, Edson Fernandes

Atualmente, embora não exista a bandeira R, o passageiro paga um valor diferenciado sempre que se desloca em direção à Região Metropolitana. O percentual cobrado hoje é de até 30% sobre o valor total da corrida. Esse percentual representa o custo de retorno do táxi e serve para compensar o prejuízo do taxista, que não pode pegar passageiro enquanto estiver no município vizinho para não prejudicar o serviço de táxi existente na cidade da Região Metropolitana vizinha a Curitiba. Com a possibilidade de utilização da bandeira R o passageiro será beneficiado porque o taxímetro só será alterado para a bandeira R no momento em que o veículo entrar no município vizinho.

Cassio regulamenta centrais

As centrais de radiotáxi em Curitiba já estão regulamentadas. O prefeito Cassio Taniguchi assinou ontem, num café da manhã com taxistas, o Decreto 784 que estabelece critérios para o funcionamento do setor. Além dos profissionais da categoria, também participaram do encontro o presidente da Urbs, Sérgio Tocchio, e vários secretários municipais.

O decreto que regulamenta as centrais de táxi é resultado de uma série de estudos e de reuniões dos técnicos da Prefeitura com representantes do setor. “A regulamentação das centrais de radiotáxi é resultado de um trabalho de parceria. Sempre que vamos mudar algum aspecto, consultamos os envolvidos para que não tenhamos nenhum atrito no futuro” explicou o prefeito.

Entre os critérios para o funcionamento das centrais estão a formação de cooperativa de taxistas. A sede onde funcionará a central deverá ser definida e registrada junto à Prefeitura. As antenas de transmissão deverão ser de propriedade das associações e o rádio comunicador instalado em cada veículo deverá ter registro junto à administração municipal. Os números dos telefones das centrais deverão estar impressos em todos os carros da associação.

O licenciamento é válido por 12 meses e, depois desse período, deverá ser renovado. As centrais terão 120 dias para a adequação nas condições estabelecidas. Curitiba tem atualmente 2,3 mil taxistas e sete centrais de Radiotáxi, onde estão associados 1,3 mil profissionais. Em média, as centrais têm 20 anos de funcionamento e por mês recebem 400 mil chamadas. “Até agora não tínhamos nenhum regulamento para a abertura e funcionamento do setor. O decreto vai impedir interferência de pessoas que não têm relação com a categoria.” A união da classe permitiu o diálogo com a Prefeitura e o usuário ganha com isso porque terá mais qualidade no serviço”, disse Edson Fernandes, presidente da Radiotáxi Sereia.

Taxistas protestam contra violência

A morte do taxista Antônio Krulikoski, de 48 anos, foi a gota d?água para a categoria, que foi às ruas, ontem pela manhã, protestar por segurança. O motorista foi assaltado no dia 28 de julho, quando atendia uma corrida do Capão Raso até o Boqueirão, em Curitiba. Três pessoas entraram no táxi e, no trajeto, deram voz de assalto, levando o veículo – um Santana – e R$ 25. O motorista foi baleado pelos assaltantes e conduzido pelo Siate até o Hospital do Trabalhador, onde morreu anteontem depois de passar por três cirurgias.

De acordo com o irmão da vítima e também taxista, Domingues Krulikoski, nesse tempo que Antônio ficou no hospital nenhum policial apareceu para colher informações sobre a ocorrência. Além disso, uma semana depois do assalto, pedaços do carro levado no assalto foram encontrados, e a orientação dada à família pela polícia é que, se quisessem, poderiam levar esse material para a delegacia. “Mas isso é o papel da polícia”, afirmou Domingos.

O motorista também relatou que o profissional está sendo confundido com o marginal. Ele contou que, durante uma blitz policial no bairro Xaxim, teve que descer do carro para ser revistado, enquanto os passageiros ficaram no veículo sem serem abordados pelos policiais. Depois da revista, os ocupantes mostraram para Domingos o revólver e a faca que escondiam por baixo da roupa. “Eles estão revistando as pessoas erradas. Nós somos as vítimas”, falou.

Passeata

Em protesto pela morte de Antônio Krulikoski, um grupo de mais de trinta taxistas seguiu em carreata do Cemitério do Boqueirão até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. No percurso, o movimento foi ganhando a adesão de outros motoristas. O presidente do Sindicato dos Taxistas, Pedro Chalus, disse o movimento de ontem foi para demonstrar a insatisfação da categoria. “Parece que nós estamos vivendo em uma terra sem lei”, falou. Segundo ele, a própria entidade não tem as estatísticas sobre as ocorrências envolvendo taxistas, porque a Secretaria de Estado da Segurança Pública não revela os números.

Outra reclamação feita pelo presidente do sindicato é que os motoristas não podem fazer o boletim de ocorrência em qualquer delegacia, mas somente na sede próxima do local da ocorrência. “Isso é um absurdo, porque o motorista muitas vezes tem que se deslocar longe para poder fazer o BO (boletim de ocorrência), para que nenhuma providência seja tomada”, reclamou. Um dos fatores que contribuiu para que os taxistas sejam alvo de assalto, segundo Chalus, foi a implantação do cartão de transporte coletivo. “Os bandidos sabem que nos ônibus não têm dinheiro, então assaltam os taxistas”, afirmou.

A categoria agendou para hoje uma reunião com o comando da Polícia Militar para discutir o assunto. (Rosângela Oliveira)

Setores buscam solução conjunta

O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, recebeu ontem o deputado Bradock, o coronel David Pancotti, o delegado Jorge Azaor e quatro taxistas da empresa Radiotáxi Paraná para discutir propostas que possam reduzir a violência contra a categoria. Segundo a Sesp, o Sindicato dos Taxistas também foi informado sobre o encontro, mas não apareceu. Num primeiro momento, a principal ação seria a criação de um canal diretor de comunicação entre os taxistas e a PM, que possibilitasse troca de informações via rádio. A Sesp informou que outra opção seria a realização de vistoria dos táxis por parte da PM a partir das 19h. Tanto o taxista quanto o passageiro passariam por essa inspeção para evitar novos assaltos.

As medidas discutidas na Sesp serão repassadas para os representantes do sindicato hoje, em outra reunião, que será realizada às 10h, no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar em Curitiba. De acordo com a Sesp, toda a categoria deve acatar a implantação do convênio para que as propostas possam ser executadas. (Rubens Chueire Júnior)