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Alípio Leal: ?Alunos podem interagir com os professores por e-mail?.

Apenas um terço dos candidatos que se inscrevem anualmente nos cursos pré-vestibulares consegue ingressar em cursos profissionalizantes de nível superior e técnico, seja em instituição pública ou privada.

A cada ano, a média de inscrição é de 155 mil jovens para 54 mil vagas oferecidas, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Para suprir essa demanda, inclusive de quem mora em cidades do interior, uma alternativa que vem sendo adotada é a da Educação a Distância (EaD). Aqui no Paraná, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) utiliza as teleaulas ou teleconferências e, ao invés de EaD, fala em ?presença virtual?. ?Durante as aulas, os alunos podem interagir com os professores por uma linha telefônica 0800 ou por e-mail?, explicou o diretor da Escola Técnica da UFPR, Alípio Leal.

A qualidade do ensino estaria garantida com a interatividade, já que o programa é televisivo e ao vivo e os alunos têm sua freqüência controlada. Desde 2005, foram implantados 240 pontos de teleaula no Paraná e, no ano passado, foram formados 5.287 técnicos a distância. São cursos de Administração de Empresas, Gestão Pública, Secretariado, Segurança no Trabalho e Gestão com Ênfase em Cooperativismo.

Segundo Leal, no Estado existem cerca de 300 mil postos que precisam de mão-de-obra qualificada. Até 2010, só em Curitiba, serão abertas cerca de 6 mil vagas para a área de informática, setor que precisaria de investimento.

Restrições

As ofertas na modalidade de EaD devem ser encaradas com cuidado, segundo alerta o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Romeu Miranda. ?A ausência do professor exige um aluno com uma trajetória que lhe dê potencial de ler, estudar e interpretar sozinho o conteúdo?, afirma.

Assim, a EaD não serviria para a educação básica, quando os alunos ainda estão em formação. Há modalidades de EaD na educação de jovens e adultos, também vistas com desconfiança. ?Nesses casos, o aluno procura a escola por iniciativa própria, o que lhe dá alguma condição de fazer a educação a distância, pois demonstrou interesse. Mas mesmo assim deve-se ter cuidado, porque esse aluno deve ter um processo de educação o mais constante e presencial possível?, defende o presidente do CEE.

Em relação aos cursos técnicos, a aprovação do CEE depende do curso. ?Enfermagem à distância, por exemplo, não faz sentido. O aluno precisa de contato diário com instrumentos, exige local de treinamento e presença de professor e paciente?, diz Miranda. Na posição do CEE, para ser enquadrada efetivamente como educação, a EaD tem que ser capaz de fazer com que o aluno faça críticas e estabeleça referências. ?Caso contrário, é adestramento, não educação?, finaliza.