O soldado Luiz Henrique, 29 anos, jamais imaginaria que a ocorrência mais emocionante que atenderia nos sete anos que tem de Polícia Militar (PM) seria por telefone e não no patrulhamento de rua. Integrante da 2ª Companhia do 9º Batalhão da PM em Pontal do Paraná, no litoral, há três meses ele atua na base da Central 190. E mesmo com tão pouco tempo, já salvou uma vida na nova função, ao passar por telefone as orientações para desengasgar um bebê recém-nascido na madrugada da última quinta-feira (13).

Por volta de 1h45, o montador de móveis Jhonatan Ribeiro Cabral, 23 anos, ligou para a PM desesperado. De Paranaguá, onde mora, ele buscava ajuda para salvar a filha Jolie Gabriela, então com apenas oito dias de vida, que tinha se engasgado com o leite materno. “Na hora eu me desesperei e o único telefone que eu me lembrei para pedir ajuda foi o 190”, relata o pai, explicando porque não buscou socorro da ambulância do Samu (192) ou do Siate (193). “Por sorte quem me atendeu foi esse policial, que me passou muita tranquilidade para salvar minha filha”, relata Jhonatan.

Jhonatan ouvia Luiz Henrique e repassava as orientações de como desobstruir as vias aéreas da criança para a esposa, a balconista Geovana Alves, 21 anos, aplicou as técnicas na criança. No momento da ligação, Jolie estava sem respirar e já começava a ficar roxa, mas o trabalho em grupo deu resultado. Em pouco mais de um minuto, a menina começou a chorar, para o alívio de todos. “Foi tudo muito rápido, cerca de um minuto e meio. O pai estava bem nervoso, mas consegui passar tranquilidade para que a família aplicasse as técnicas de primeiros-socorros que aprendi na formação de soldado na academia de polícia”, enfatiza Luiz Henrique. “A situação era grave por envolver um bebê de poucos dias de vida. Por isso foi um alívio muito grande ouvir o choro da menina do outro lado da linha quando ela se desafogou”, comemora o policial.

Emoção

Na manhã desta segunda-feira (17), Luiz Henrique foi a Paranaguá conhecer Jolie e sua família. No encontro, o pai se emocionou pela atitude do PM ao lembrar que há dois anos e meio havia perdido outra filha que teve problemas no nascimento. “Na hora que disquei o 190, tudo aquilo veio de volta na minha cabeça, da perda da minha outra filha e só pensei em mim e na minha esposa, que a gente não podia perder mais um filho”, enfatiza Jhonatan. “Não tenho palavras para agradecer o que esse policial fez pela minha família. Ele podia ter dito para eu ligar para uma ambulância, mas viu que a situação era de grave e exigia uma ação rápida”, afirma.

A lembrança do casal com a filha que morreu deixou o soldado Luiz Henrique ainda mais emocionado. “Sinceramente, eu não esperava passar por este tipo de emoção na minha nova função na Central 190 por ser um trabalho administrativo”, admite o PM. Ainda mais levando-se em conta que o normal seria que a ligação caísse na Central 190 da própria Paranaguá e não em Pontal do Paraná. “Foi uma casualidade a ligação cair para mim. Talvez a central de Paranaguá estivesse ocupada. Mas fiquei muito feliz de ter dado tudo certo nesta ocorrência, que foi uma espécie de prova de batismo da minha nova função”, comemora o policial.

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