Temporais que atingiram todo o Paraná na tarde da última quarta-feira e na madrugada de ontem deixaram pelo menos 2,6 mil casas danificadas, 1,6 mil pessoas desalojadas e desabrigadas, 44 feridos e um morto.

O balanço parcial é da Defesa Civil estadual, mas os números podem mudar a qualquer momento, já que muitas pessoas retornaram para casa e outras, ao mesmo tempo, estão tendo que deixar suas residências porque os municípios em que vivem ainda sofrem com as chuvas.

Até agora, 26 cidades foram afetadas com os temporais. Pelo menos 30 mil domicílios ficaram sem energia elétrica e outros 100 mil com o abastecimento de água prejudicado.

A morte registrada ocorreu no município de Santa Helena, na região oeste do Paraná, por volta das 16h de quarta-feira. Leandro Tauchert, de 28 anos, morreu quando seu veículo foi atingido por uma árvore no distrito São Francisco, a cerca de oito quilômetros do centro da cidade.

Em todo o município de Santa Helena, aproximadamente 50 residências foram destelhadas com os ventos fortes e mais de duas mil pessoas foram afetadas. Para se ter uma ideia, o Instituto Tecnológico Simepar registrou ventos de 100 km/h na cidade na tarde da última quarta-feira.

Em Ampere, no sudoeste do Estado, o Simepar confirmou a passagem de um tornado, com ventos de 115 km/h. Londrina, no norte do Paraná, também sofreu com as chuvas. O prefeito Barbosa Neto deve decretar hoje estado de emergência.

Cerca de 400 casas foram destelhadas na cidade, deixando pelo menos 40 famílias desabrigadas e outras 70 desalojadas. Em Cascavel, no oeste do Estado, cerca de mil residências foram destelhadas, obrigando 1,5 mil pessoas a deixarem suas casas.

Uma torre da rádio Capital FM chegou a ser derrubada com a força dos ventos, que chegaram a 100 km/h. Em Matelândia, na mesma região, pelo menos 500 casas foram destelhadas, além de um posto de saúde e aviários.

Em Ibiporã, no norte, os moradores ainda nem tinham concluído as obras de recuperação por conta das chuvas que atingiram a cidade há cerca de uma semana.

Com o temporal de ontem, novos bairros foram afetados. Não deu tempo de o teto do único hospital público da cidade, o Cristo Rei, ser reconstruído e mais água entrou no local. Trinta e seis leitos estão desativados.

O meteorologista do Simepar, Tarcísio da Costa, explicou que os ventos e chuvas fortes ocorrem por conta do encontro de um fluxo de ar quente e úmido, vindo da região norte do País, com a frente fria, oriunda do sul. “Isso intensifica a instabilidade atmosférica”, disse.

Segundo Costa, estão previstas chuvas para os próximos três dias, mas não com a intensidade de ontem. Outras cidades afetadas pelas chuvas foram Cambé, Arapongas, São Sebastião da Amoreira e Assai (norte); Umuarama e Alto Piquiri (noroeste); Palotina, Medianeira, Diamante do Oeste e Maripá (oeste); Três Barras do Paraná, Iguatu, Ampere, Bela Vista da Caroba, Capanema, Cruzeiro do Iguaçu, Dois Vizinhos e Tupassi, no sudoeste; Cantagalo e Goioxim (sul). A Defesa Civil não registrou problemas em Curitiba e região metropolitana.