Cerca de 100 famílias aproveitaram a véspera de feriado para invadir uma área particular no bairro Tatuquara, na Cidade Industrial de Curitiba. Desde sábado, eles estão roçando o local e fazendo barracos com lona plástica e até cabanas cobertas com mato. É a segunda vez que eles tentam se apossar da área. A primeira foi há três anos, mas na época o proprietário conseguiu reintegração de posse.

Ontem, todos os lotes do terreno estavam praticamente distribuídos e havia até sinalização de algumas ruas. Para demarcá-los, foram usados cordas, barbantes e até antigas fitas magnéticas de áudio. Enquanto alguns passavam o dia conversando embaixo das suas lonas, outros continuavam fazendo o roçado e tentando estabelecer com o vizinho onde seria a divisa.

A maioria das pessoas vive de aluguel ou mora na casa dos pais ou sogros. Era o caso de Claudemir Moares, 28 anos. Ele explica que trabalha na Central de Abastecimento de Curitiba (Ceasa) ajudando a carregar caminhões, e o que ganha é muito pouco. Por enquanto, a solução tem sido a casa da sogra. Ele nem sabia quem era o dono da área, mas pretendia ficar no local e aos poucos construir uma casinha. “Só sei que é um ricaço”, supõe.

Neri Krostruber, 23 anos, é casado e tem uma filha de dois meses. Ficou sabendo que o pessoal iria invadir e resolver participar. Ele quer fugir do aluguel de R$ 130. “Eu ganho R$ 400 e ainda tenho que pagar água e luz”, reclama. É a segunda vez que ele tenta conseguir um terreno, e, como a maioria das pessoas, não tinha a mínima idéia de quem era área.