Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) estão em greve a partir de hoje, por tempo indeterminado. Sem avanço nas negociações, que iniciaram em agosto, os sindicatos realizaram assembleias regionais pelo País ontem à noite para decidir sobre a paralisação.

No Paraná, as reuniões ocorreram em Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Todas decidiram pelo início da greve, seguindo recomendação da diretoria nacional da categoria.

A principal bandeira pela qual os funcionários do Correios pretendem reivindicar é reajuste de R$ 300 no salário. Hoje, o salário inicial da categoria é de R$ 647 e a média salarial varia de R$ 750 a R$ 800, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR).

Além de reajuste salarial, os funcionários querem contratação de mais profissionais, fim das terceirizações, plano de cargos e salários e reposição de perdas salariais, na faixa dos 41%, segundo cálculo do sindicato.

“Aumento do efetivo melhora o atendimento à população. No Paraná, a nossa defasagem chega a 30%”, acredita o secretário-geral do Sintcom-PR, Nilson Rodrigues dos Santos. Em todo o Paraná, a ECT conta com 6,2 mil trabalhadores, sendo 3 mil carteiros.

Praticamente a metade desse total concentra-se em Curitiba e região metropolitana. Os trabalhadores reclamam que as negociações com a empresa não avançaram.

A ECT chegou a apresentar proposta de manutenção do atual acordo coletivo de trabalho, 4,5% de reajuste salarial e aumento do valor em itens como vale-alimentação, vale-cesta e creche, o que foi rejeitado pelos funcionários.

No fim da tarde de ontem, uma nova reunião chegou a acontecer, em Brasília, entre a direção da ECT e representantes dos trabalhadores. Mesmo assim, não houve acordo.

No ano passado, os trabalhadores da ECT fizeram duas greves, em abril (com duração de sete dias) e em julho (durante 21 dias), além da tentativa de uma terceira paralisação no fim de 2008.

Na época, a discussão era sobre o pagamento de um adicional de 30% para carteiros que atuam na coleta externa, a partir de um termo de compromisso firmado pelo governo federal e não cumprido até então. Depois das paralisações, o valor foi incorporado ao salário da categoria.