Foto: DER
DER realiza constantes fiscalizações para verificar regularidade de ônibus e vans.

Veículos clandestinos vêm colocando em risco a vida de quem trafega pelas estradas do Paraná. Segundo o diretor da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina, Thadeu Castello Branco da Silva, é cada vez maior o número de ônibus e vans que trafegam sem condições. Dá para se ter uma idéia do problema analisando os dados do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Quase a metade dos autos de infração emitidos entre abril de 2005 e maio de 2006 no Estado eram referentes a esse tipo de condução.

Para Thadeu, viajar em veículo clandestino pode significar escolher entre a vida e a morte. Ele explica que os ônibus e vans que não são registrados junto ao DER não oferecem a mesma segurança dos que estão de acordo com a lei. Ele explica que os regularizados passam por vistorias uma vez por ano, enquanto nos demais não se sabe se a manutenção é feita com regularidade. ?Além disso, há carros com mais de 15 anos de uso?, comenta.

Mas além do estado de conservação dos veículos, a experiência do motorista também conta muito. ?Um condutor de fim de semana que pega uma neblina na estrada pode causar um grave acidente?, revela. Já os das empresas estão em constante treinamento e sabem como proceder nas diversas situações. Outra prova de que é melhor viajar em ônibus regularizados é o baixo número de acidentes. Por dia, 62 mil pessoas usam esse tipo de transporte, seja rodoviário ou metropolitano, e mesmo assim é muito difícil acontecer um acidente. ?A incidência é quase zero?, afirma.

Das 1.696 infrações cometidas entre abril de 2005 e maio de 2006, 827, ou seja, 48,76% eram de carros irregulares. O problema vem sendo observado em vários lugares do Paraná. Mas chama mais atenção nos municípios onde foram criadas faculdades nos últimos anos e os estudantes precisam se deslocar de uma cidade para outra. Os pais e alunos acabam preferindo o transporte clandestino porque é mais barato. ?Eles sonegam impostos, não se sabe se fazem a manutenção e não têm nenhum tipo de seguro em caso de acidentes?, aponta Thadeu, lembrando ainda o risco de morte. A concorrência desleal vem afetando as empresas que trabalham em conformidade com a lei. Embora os prejuízos sejam consideráveis, o diretor da Fepasc disse que é difícil calcular. Ele acha que, nas regiões mais problemáticas, para cada veículo regular existem outros quatro operando de forma ilegal.

Nem as prefeituras escapam das críticas da federação. Segundo Thadeu, os ônibus usados para transportar doentes muita vezes levam pessoas que usam o veículo só para passear. ?Poderiam estar usando o ônibus de linha. Quanto mais gente usar o transporte, mais barato a passagem vai ficar?, ressalta.

Para saber se um veículo é registrado, o usuário deve exigir a apresentação de certificado de registro válido, que é emitido pela autoridade competente para a viagem pretendida.