Foto: Lucimar do Carmo/O Estado
Raul De Bonis: ?Perspectiva?.

O transporte coletivo urbano está diretamente ligado ao desenvolvimento das cidades. Por tudo isso, não pode ser tratado apenas como um bem de mercado, ou seja, como um serviço que precisa ser remunerado pelo valor da tarifa. Na opinião do diretor de Planejamento, Expansão e Marketing da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, Raul De Bonis, que é do Rio de Janeiro e ontem participou do seminário Curitiba nos Trilhos – Desafios do Transporte do Futuro, realizado no salão de atos do Parque Barigüi, a questão é bem mais ampla.

?Atualmente, estamos vivendo a perspectiva de uma nova etapa de desenvolvimento do Brasil. Esta passa pelo desenvolvimento das regiões e aglomerações urbanas, que está muito associado à questão do transporte?, afirma. ?O transporte urbano, quando pensado como bem de mercado, perde qualidade e quantidade. Como as pessoas em geral não podem pagar mais pela tarifa, o que se faz hoje é reduzir a qualidade do serviço prestado. Isso é um erro?.

Os sistemas urbanos, segundo Raul, precisam e devem ser estruturados sem que seja deixada de lado a preocupação com a qualidade de vida da população e com as questões ambientais. ?O mundo inteiro persegue isso ao tratar questões ligadas ao transporte e o Brasil não pode ficar de fora. Curitiba, por muitos anos, foi referência nacional na qualidade de transporte. Porém, mesmo ela já está precisando de alguns ajustes?.

Para que o transporte seja eficiente, é preciso que haja união entre municípios, Estado e governo federal; que os serviços de transporte atuem como sistemas; e que haja preocupação ambiental, de modo que as pessoas utilizem mais o transporte coletivo e contribuam com a redução da poluição ao deixarem seus carros em casa. ?Também é preciso organizar o uso do solo?, comenta o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luís Henrique Fragomeni. ?Não se deve esquecer que o transporte urbano está ligado à inclusão social?.

Uma outra hipótese para melhor desenvolver o sistema de transporte coletivo de Curitiba seria a internalização de recursos externos. Apesar de orientar para que se tente evitar tal medida, o secretário nacional de Transporte e Mobilidade do Ministério das Cidades, José Carlos Xavier, disse que nenhum município está impedido de buscar tais recursos. ?E os recursos para Curitiba poderiam vir do Banco Mundial.

De acordo com chefe de projetos de transporte urbano do banco para o Brasil, Jorge Rebelo, já houve uma procura de Curitiba em 2002 para um financiamento com o banco.