Foto: Aliocha Maurício
Maria Amélia: humanização.

Combater a desinformação e promover a integração social de portadores de transtorno mental. Com esse objetivo, representantes de associações que tratam do caso participaram do 1.º Fórum Paranaense de Pacientes em Saúde Mental, realizado ontem, em Curitiba.

De acordo com Maria Amélia Tavares, médica psiquiatra da Associação Paranaense de Esquizofrenia e Transtorno Bipolar, a importância de tratar assuntos como esse é alertar para a diminuição do preconceito. ?Temos que deixar esse conceito arcaico de hospício. A idéia é mostrar para a sociedade que o paciente que sofre de transtornos mentais pode ser tratado de uma forma mais humana?, conta.

Segundo Maria Amélia, os distúrbios mentais mais freqüentes são a depressão, a síndrome de burnout (caracterizada por estresse prolongado e diminuição do interesse pelo trabalho), o transtorno afetivo bipolar (no qual o paciente alterna mudanças extremas de humor) e a esquizofrenia. A psiquiatra ressalta que o alcoolismo também deve ser encarado como um transtorno mental. ?Cerca de 20% da população no Brasil sofre com transtornos ligados ao álcool.?

O presidente da Associação de Familiares e Amigos dos Pacientes Esquizofrênicos (Apafape), Russel Siqueira de Carvalho, alerta para que os órgãos responsáveis tenham uma maior atenção com os pacientes. ?Dos 399 municípios do Paraná, 90% não contam com especialistas na área de psicologia?, conta.

Para ele, a pouca (ou a ausência de) estrutura para diagnosticar distúrbios mentais pode acarretar em problemas na vida pessoal e profissional do indivíduo. ?Temos casos em que pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno são agredidas pelos próprios familiares e até de clara exclusão social. A intenção da associação também é evitar o preconceito dentro do próprio meio social do paciente?, explica.