O número de conflitos no campo triplicou no Paraná no ano passado, em comparação com o ano de 2008. Foram 42 ocorrências, contra 14 do ano anterior, informa o relatório anual divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Apesar do aumento nos conflitos, não houve mortes.

Esse aumento acompanhou o maior número de ocupações de terra no Estado no ano passado, de acordo com o coordenador regional da CPT, Renato Munhoz. “O conflito revela a questão da monocultura que tem crescido no Estado, como na região oeste, com o cultivo de pinus e eucalipto”, diz. Os conflitos por terra aconteceram em municípios como Alvorada do Sul, Guarapuava, Perobal e Tijucas do Sul.

O relatório aponta também casos denunciados de trabalhos análogos ao de escravos em cidades como Adrianópolis, São Mateus do Sul, São João do Triunfo, Cerro Azul e Doutor Ulysses. Ao todo, foram 16 ocorrências, nas quais foram libertados 227 trabalhadores. São geralmente locais de corte de pinus.

Além do conflito da própria cultura camponesa, Munhoz destaca que projetos de construção de barragens interferiram no número de famílias atingidas, que passaram de 2 mil somente pela falta de projeto de assentamento das famílias moradoras de Clevelândia/Honório Serpa, por conta da barragem do Rio Chopim.

“Esse modelo do agronegócio e do latifúndio gera conflito. Percebemos principalmente conflitos com as chamadas comunidades tradicionais, como os quilombolas, além dos pequenos camponeses, na região de Curitiba, Vale do Ribeira. O que a CPT defende é um novo modelo de relação com a terra, para que essas famílias sejam respeitadas”, aponta o coordenador regional da CPT.

Duas tentativas de assassinato ocorreram no ano passado em Cascavel, na Fazenda Bom Sucesso, sem mortes. No Paraná, um dos casos de maior repercussão foi o assassinato do sem-terra Keno, em uma unidade da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, ocorrido em outubro de 2007. Na ocasião, um segurança da Syngenta também morreu.

Denúncia do Ministério Público apontou culpados dos dois lados. Embora haja muitos conflitos no Paraná, a situação do Estado é bem melhor que de locais como o Pará, onde o número de ocorrências chegou a 160 em 2009.