Esta bela paisagem encontra-se
a 20 km de Curitiba.

São poucas as pessoas que já tiveram a oportunidade de conhecer as nascentes de um rio. Pois, a 20 km do Centro de Curitiba, esta chance é bem real. Um dos pontos mais bonitos do Circuito da Natureza de turismo rural de Almirante Tamandaré é onde estão localizadas as nascentes do Rio Passaúna, que abastece 570 mil pessoas diariamente na Grande Curitiba. A água límpida e mineral, saída de pequenas fendas na rocha, que metros adiante ajuda a formar um rio tão importante, é atração de um novo tipo de turismo, que vem despontando nas proximidades da capital.

A partir de hoje, o Paraná-Online publica, aos domingos, uma seqüência de matérias sobre os circuitos de turismo rural paranaenses. Almirante Tamandaré, que vive momentos de apreensão devido à violência em sua zona urbana, foi a escolhida para iniciar a série, mostrando o contraste que existe com a tranqüilidade reinante em sua zona rural.

Além de apreciar a cultura e a tradição das pessoas originariamente do campo, quem quiser conhecer o circuito e ouvir uma boa prosa, pode também adquirir produtos como queijos, salames e vinhos. Uma das vantagens do circuito de Tamandaré é que mesmo na zona rural, dois terços de seu percurso são pavimentados, facilitando o acesso ao local.

O começo da aventura pode ser feito por dois lugares. A estrada do Marmeleiro (1,5 quilômetro a frente do Centro de Tamandaré pela Rodovia dos Minérios) e pela Rua Justo Manfron, que fica apenas a cinco quilômetros de Santa Felicidade. “É uma opção para as pessoas que almoçam em Santa Felicidade e não têm para onde ir depois do almoço”, sugeriu João Bogdan Romaniewicz, membro do Conselho Municipal de Turismo Rural de Almirante Tamandaré.

Um dos pontos mais bonitos do circuito é exatamente onde termina a Estrada do Marmeleiro e inicia-se a Rua Luciano Perussi. Lá estão localizadas as nascentes do Passaúna, a Igreja de Nossa Senhora da Luz do Marmeleiro e a casa de Isolmira Dalpra Trevisan, um local histórico, que aos 117 anos mantêm-se muito bem conservada, podendo ser tombada pelo patrimônio histórico nacional. Isolmira, 80 anos, 27 como professora estadual, contou outra grande parte de sua vida, vivida na própria casa. “Aqui era uma venda, onde trabalhei durante 23 anos da minha vida. Antigamente era bem mais difícil. Tudo, arroz, feijão, farinha, açúcar, tinha que ser pesado. Não tinha nada em pacotes prontos”, lembrou Isolmira.

Também tem comida saudável

Depois de um bom passeio, nada melhor que uma boa comida. No Circuito da Natureza há a opção do Restaurante Viver Saudável. Comandado por um pernambucano radicado em Almirante Tamandaré, o restaurante oferece produtos feitos naturalmente, como strogonof vegetal, pizza de beringela e tortas de ricota e couve-flor. Para quem não gosta desse tipo de comida mais saudável, também há a opção de peixe, frango e carne bovina.

O dono do restaurante é Onias Pessoa de Lima. Ele mora há 22 anos na cidade e diz não ter mais como deixar Tamandaré. “Vim de Pernambuco e casei por aqui. As vezes dá saudade da minha terra, mas não tem mais como voltar”, disse Onias. Para ele, a criação do circuito de turismo rural vai ser bom não só para os comerciantes, mas para todo o município. O restaurante fica na Rua Wadislaw Bugalski.

Festas

A sensação de estar num lugar interiorano atrai muitas pessoas. Pois, uma festa de aniversário ou casamento teria um sabor diferente se fosse realizado num local assim. Dentro do circuito existe esse local, o Recanto Manós oferece toda a estrutura para realização de uma festa. Desde salão, restaurante (você escolhe tipo de comida), campo de futebol, quadra de vôlei, lago para pescar, trilha ecológica, etc. o empreendimento está funcionando há seis meses. A proprietária é Dilma Alvim. “Estamos aumentando a estrutura do restaurante. As pessoas que vierem podem fazer atividades de recreação. Quem comanda é meu marido, que é professor de educação física”, explicou Dilma. (LM)

Serviço:

O telefone do Recanto Manós é (41) 364-8959.

Defumados e pouca gordura

Quem vai ao Circuito da Natureza para comprar produtos alimentícios tem várias boas opções. Uma delas é a Chácara Bela Vista, logo no início da Estrada do Mermeleiro, onde podem ser encontrados defumados feitos com o mínimo de gordura possível, além de vinho e pinhão. Tudo cuidadosamente feito pelo casal Hílton (mais conhecido como Aírton) Estêvão da Cruz e Elza Perussi da Cruz. “Procuramos tirar o máximo de gordura da carne do porco antes de fazer os embutidos”, contou Cruz, que no ano passado teve uma boa venda de sua produção e espera que ela melhore ainda mais com a implantação do circuito de turismo rural.

Outro ponto interessante é o Moinho Nossa Senhora do Carmo, que fica na Rua Luciano Perussi. Ele é movido pela água do Passaúna, que nasce pouco antes do local. Lá existe um estabelecimento de vendas de inúmeros produtos feitos artesanalmente como geléias, bolos, pães caseiros e até vinhos. “É uma tradição da família Perrusi. Todos os produtos são feitos pela minha mãe e pela minha avó. O vinho sou eu quem faço”, contou Fábio Perussi, membro da família que cuida do moinho. Ele lembrou que a parte inferior da casa foi feita inteiramente de pedra. Outro detalhe interessante da arquitetura é que o Rio Passaúna passa pelo meio da casa, que foi construída já com esta previsão.

Pouco antes do final da Estrada do Marmeleiro fica a Chácara Arte Verde. Lá são vendidas hortaliças orgânicas, bolachas e artesanatos. Uma das peculiaridades do local é um carijo. Moedor de erva-mate artesanal puxado a cavalo. O dono do carijo, Prudêncio Bueno, contou que mora na chácara há mais de 40 anos e que quando ele chegou, a grande peça feita com um tronco de Imbuia já estava lá.

Tirando lã

Uma atividade inusitada pode ser feita pelas pessoas que se dispuserem a conhecer a Chácara Colina Encantada, de propriedade de João Bogdan Romaniewicz. Um curso de tapeçaria, onde o aluno aprende desde tosquear a ovelha, lavar a lã, transformá-la em fios e fazer o tapete, pode ser feito ao preço de R$ 100,00. “s pessoas procuram o curso mais para relaxar e passar um dia divertido. Até médicos, que nem sonhavam em fazer tapeçaria já fizeram o curso”, contou Romaniewcz, lembrando que geléias e compotas feitas por sua esposa, Jacira Romaniewcz, também são vendidas na sua propriedade. (LM)

Serviço:

Mais informações sobre o curso de tecelagem pelo telefone (41) 654-2784.