Um médico e duas enfermeiras ucranianos voltam hoje ao seu país depois de passarem nove meses se especializando em transplante de medula óssea alógena (de pessoa para pessoa) no Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com eles, já são oito profissionais que voltam à Ucrânia aptos a aplicar a técnica. Até então só o transplante com células da própria pessoa era realizado naquele país.Agoa eles levam uma alternativa a mais para salvar as vítimas da radiação, liberada no acidente na Usina de Chernobyl, em maio de 1986.

Há dois anos a nova técnica começou a ser aplicada na Ucrânia e já salvou a vida de setenta pacientes. No país, o número de pessoas que desenvolvem o câncer é grande, por causa do acidente. José Welgacz, da Representação Central Ucraniana Brasileira, que fez a parceira com a Universidade Federal do Paraná, explica que durante a explosão na usina, causada por super aquecimento, a temperatura no local chegou a atingir 3 mil graus e a radioatividade liberada foi 150 vezes superior as das bombas lançadas sobre as cidades japoneses de Hiroshima e Nagasaki, durante a II Guerra Mundial.

A idéia de trazer os médicos para o Brasil surgiu depois que um grupo de quinze crianças veio para ser atendida no Hospital Evangélico. As enfermeiras Kateryna Shamala e Tetiana Stupikha, que estão indo embora hoje, levam consigo uma nova esperança de cura para muitas pessoas.