A Universidade Estadual de Maringá (UEM) poderá aceitar a transferência de doze alunos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Nesta semana, por intermédio de um decreto do governador Roberto Requião, o curso foi suspenso, sob o argumento de que faltam recursos para sua manutenção. Junto com a UEM, as universidades estaduais de Londrina (UEL) e Cascavel (Unioeste) disponibilizaram dezesseis e doze vagas, respectivamente.

Cada aluno terá o direito de optar para qual universidade quer ir. As vagas serão preenchidas respeitando o critério de classificação no vestibular. Quer dizer, o primeiro colocado faz sua escolha, depois será a vez do segundo, e assim, sucessivamente, até chegar ao último.

Segundo informou o reitor da UEM, Gilberto Pavanelli, a transferência desses alunos deverá resultar em uma contrapartida do governo do Estado. A universidade está levantando quais são as necessidades básicas do Departamento de Medicina para atender esses novos alunos. De antemão calcula-se que serão necessários alguns equipamentos, como microscópios, materiais de laboratório, além de recursos financeiros.

Antes de colocar as vagas à disposição, a administração central da UEM reuniu-se com o coordenador do curso, Orlando Prado; com o chefe do departamento, Lúcio Esteves; com o superintendente do Hospital Universitário, Carlos Edmundo Fontes, e com a pró-reitora de Ensino, Sônia Benites. O encontro visava à avaliação das condições que teria a universidade para receber novos alunos.

Para o reitor, a transferência, caso se concretize, irá exigir esforço extra das pessoas e órgãos envolvidos, mas não implicará em prejuízo à qualidade do curso que a instituição oferece.

Pavanelli também enfatizou que o fato se caracteriza como excepcionalidade. Não quer dizer que nos próximos vestibulares a UEM abrirá novas vagas. “Será mantida a oferta de 40 vagas anuais”, disse.

Para o vice-reitor da UEM, Angelo Priori, a suspensão do curso de UEPG foi uma medida bem adotada, apesar de drástica. Priori destaca os altos investimentos necessários para a estruturação do curso para justificar sua posição. “Conforme está sendo divulgado na imprensa, o curso necessitaria de R$ 14 milhões de investimentos diretos e mais R$ 52 milhões para a construção do Hospital Universitário. É um custo alto, principalmente, se for levado em conta que, hoje, as universidades estaduais estão estranguladas e reinvindicam quase que essa soma junto ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos em infra-estrutura”, justifica o vice-reitor.

Reunião discutirá transferências

Lawrence Manoel

O reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paulo Roberto Godoy, confirmou que na manhã de hoje os alunos do curso de Medicina da instituição ? suspenso esta semana por decreto do governador Roberto Requião (PMDB) ?, se reunirão com integrantes da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para discutir as possíveis transferências para as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste). Godoy também protocolou ontem, junto à secretaria, um pedido para que os quarenta alunos da UEPG possam ao menos terminar o primeiro ano do curso ainda em Ponta Grossa. “Será mais fácil a mudança e menos traumatizante”, afirmou.

O reitor confirmou que a instituição forneceu todos os documentos necessários ao promotor Fuad Chafic Abi Faraj, da Promotoria de Proteção aos Direitos e Garantias Constitucionais, que pretende entrar com uma ação civil pública e derrubar o decreto que suspende o curso. “É o Ministério Público que está querendo entrar na Justiça. A universidade, como órgão do governo do Estado, apenas está cumprindo as determinações do governador”, explicou, destacando que a sociedade de Ponta Grossa continua se organizando para tentar evitar o fechamento definitivo do curso.