No dia 26 de outubro de 2018, praticamente um ano atrás, a jovem Allana Emilly Brittes comemorava seus 18 anos numa casa noturna, em Curitiba. Uma festa que terminou no dia seguinte em São José dos Pinhais, inicialmente na casa da família Brittes, no bairro Guatupê, e depois no bairro Colônia Mergulhão, no mesmo município, com o assassinato do jogador Daniel Correa Freitas, 24 anos, sete réus e uma densa caminhada jurídica. A Tribuna do Paraná pediu que cada um dos advogados envolvidos no caso desse sua percepção deste um ano.

Dalledone

“É um caso que estabeleceu um frenesi na imprensa e isso prejudicou a aplicação da justiça. O judiciário, por sua vez, deu um ótimo exemplo concluindo a bom tempo e garantindo o direito de defesa dos acusados. O que me assusta é o silêncio da defesa, da condição de mulher. A Cristiana foi humilhada, constrangida, caluniada, massacrada, escrachada de vagabunda. Nenhum órgão de defesa da mulher se pronunciou. Existem movimentos na OAB que defendem as mulheres, ONGs e até mesmo promotoras de Justiça que levantam essa bandeira. Mas na vida real não estão fazendo nada. Quem sai perdendo é essa batalha em prol da mulher, que deve existir cada vez mais”, disse o advogado Cláudio Dalledone, que defende a família Brittes (Edison, réu confesso, sua esposa Cristiana e sua filha Allana).

Edison Brittes e seu advogado. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná
Edison Brittes e seu advogado. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná

Zagonel

“No inquérito policial, a Evellyn foi tida como testemunha. Nos causou surpresa ela se denunciada pelo Ministério Público. Conseguimos demonstrar na instrução processual que não há nenhuma das quatro imputações direcionadas a ela e lutaremos pela absolvição total”, analisa o advogado Luís Roberto Zagonel, que ainda ressaltou como o julgamento popular prejudicou muito Evellyn, que foi demitida do emprego, ofendida e ameaçada nas redes sociais.

Faucz

“Todas as testemunhas ouvidas e provas levantadas mostram que Ygor e David não participaram do homicídio. Nossa expectativa é de que eles não sejam levados a júri por este crime. Só pela lesão corporal (surra dada em Daniel). Caso a juíza os pronuncie por homicídio, vamos recorrer”, avisa o advogado Rodrigo Faucz Pereira e Silva, que defende Ygor e David.

Foto: Felipe Rosa.
Foto: Felipe Rosa.

Stadler

“Eu vejo que o inquérito policial foi mal conduzido, pois muitas dúvidas ficaram sem esclarecer. Um inquérito não serve só para elucidar autor e motivo. Faltou o delegado fazer uma careação entre os réus, já que cada um falou uma coisa. Mas o delegado sequer foi no local do crime. Ele não ouviu peritos, não leu laudos. Se o inquérito tivesse esclarecido tudo, não precisaríamos levantar tantas provas na instrução processual”, diz Edson Stadler, que defende o réu Eduardo.

Ribeiro

“Este processo andou de forma extremamente célere. Um processo com sete réus, mais de 80 testemunhas, esta agilidade é mérito da juíza (Luciani Regina de Paula Martins). Muito em breve os sete réus estarão sentados no plenário do Tribunal do Júri”, analisa o assistente de acusação Nilton Ribeiro, advogado que atua em auxílio à família do jogador Daniel. Para ele é certo que o processo vai ser desmembrado e que cada réu, ou grupos de réus, serão julgados separadamente.

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