Foto: Aliocha Maurício

Nível baixo nas represas.

Curitiba registrou na tarde de ontem 28,4% de umidade relativa do ar, a menor medição do ano. De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, a umidade relativa média em todo o Estado ficou, ontem, na casa dos 30%. Com isso, aumentam a incidência de doenças respiratórias – como bronquite e asma – e o risco de incêndios devido ao clima seco.

?O panorama é decorrente de um bloqueio atmosférico que não permite que as frentes frias vindas do Sul do País e os ventos de escoamento provenientes do Norte cheguem ao Paraná?, explicou a meteorologista Sheila Paz. ?Isso eleva a temperatura e deixa o ar seco, o popular veranico?, completa.

Em Curitiba, a média da umidade relativa é de 50% a 60%. ?E as altas temperaturas que estão sendo registradas nas últimas duas semanas ajudam a aumentar o desconforto do ar seco?, disse Sheila. De acordo com o médico pneumologista Jair Medina, o ar seco causa diversos problemas de saúde, entre os quais doenças respiratórias e irritação nos olhos. ?Os mais comuns são as bronquites e tosse devido à garganta seca. Recomenda-se colocar uma bacia de água no quarto e manter a janela aberta na hora de dormir?, aconselhou.

Clima quente

O Simepar informa que, pelo menos até a sexta-feira – um dia depois do início do inverno -, o panorama climático continuará o mesmo. ?Mesmo assim, é cedo para afirmar que o Estado enfrentará uma estiagem grave no inverno como a do último ano. É normal para essa estação ficar grandes períodos de tempo sem chuva?, diz Sheila. Em 2006, o Paraná enfrentou uma estiagem que baixou demasiadamente o nível das barragens e forçou a Sanepar a realizar racionamentos de água. ?Ano passado, tivemos como agravante o fato de que já não choveu muito antes do inverno?, explicou a meteorologista.

Estoque de água

As barragens do Iraí e de Piraquara – que abastecem Curitiba e a região metropolitana – registraram uma baixa de cerca de 3% no volume de água armazenada do início do mês até ontem, com 84,7% do total. Segundo a Sanepar, a represa do Iraí estava ontem 75 centímetros abaixo do nível máximo e a de Piraquara, 72 centímetros abaixo.

Contudo, a estatal informou que a medição é compatível com o período e que, ao menos por enquanto, não há risco de racionamentos. Porém, recomendou que as pessoas façam uso racional da água.

Bombeiros registram ocorrências

Fabiano Klostermann

O inverno e o tempo seco provocaram um aumento no número de incêndios ambientais no Paraná. Segundo o Sistema Digital de Dados Operacionais do Corpo de Bombeiros, foram registradas 1.260 ocorrências do tipo em todo o Estado, apenas em junho. No mesmo período de 2006, o número ficou em quase a metade com o atendimento de 634 incêndios. Ontem, apenas na região de Curitiba, os bombeiros combateram sete focos.

De acordo com o tenente Leonardo Mendes dos Santos, da comunicação social do Corpo de Bombeiros, a falta de chuvas e o frio intenso são os principais responsáveis pelo aumento. ?As baixas temperaturas fazem com que a folhagem seque mais rápido e, dessa forma, o fogo se espalha quase sem controle?, disse.

Ainda segundo ele, quase a totalidade dos incêndios ambientais é causada por ação humana. ?As pessoas queimam lixo doméstico em terrenos baldios sem saberem que, com as condições do tempo, o fogo pode se alastrar. Para Leonardo, a ocorrência de incêndios ambientais nas cidades é menos prejudicial do que no campo ou montanha. ?Em áreas urbanas, ainda podemos chegar com o caminhão e tentar apagar o incêndio com água. Nas áreas mais afastadas, o combate é feito com abafadores?, concluiu.

O último final de semana foi responsável por cerca de um quarto de todas as ocorrências do mês, com 331 incêndios registrados. No mais grave deles, o fogo destruiu o cume do Morro Rochedinho, na Serra do Mar, queimando uma área de quatro alqueires.