Foto: Diário dos Campos

As unidades de conservação abrangem área total de 70 mil hectares nos Campos Gerais.

Oito municípios dos Campos Gerais estão pedindo a revisão da implantação de três unidades de conservação (UCs). No início de 2005, as novas unidades – Refúgio da Vida Silvestre do Rio Tibagi; Reserva Biológica das Araucárias; e Parque Nacional dos Campos Gerais, um total de 70 mil hectares – foram delimitadas no papel. No entanto, a implantação está sendo adiada por insatisfação dos municípios sede. Organizados por comissões, já no final de 2005, eles encaminharam ao Ministério do Meio Ambiente contrapropostas para as novas áreas. Ponta Grossa, Tibagi, Palmeira, Teixeira Soares, Imbituva, Ipiranga, Carambeí e Castro aguardam, até hoje, uma resposta definitiva.

?No último dia 1.º, novamente tivemos uma nova reunião com o Ministério do Meio Ambiente. O que queremos é a exclusão das áreas economicamente ativas, incluídas nas delimitações das unidades de conservação. O ministério disse que estaria sendo avaliado. Até o final deste mês, eles ficaram de encaminhar um posicionamento?, explica o engenheiro agrônomo Ricardo Johansen, representante dos municípios de Ipiranga, Palmeira, Teixeira Soares e Imbituva.

De acordo com Johansen, na região de Imbituva, onde a principal prática agrícola é o extrativismo da erva-mate -mas ainda há a presença de plantações de soja e milho – os produtores querem a exclusão total dessas áreas. Em Teixeira Soares, entre as porções delimitadas a integrar a nova UC, estão áreas de pequenas culturas de subsistência familiar e também grandes propriedades, com grande produções. ?Mais da metade das áreas são produtivas há anos. É dali que sai a produção e o sustento das famílias. Também é ali que sai receita para o município e excedente para a exportação. Se implantadas, da maneira como estão propostas, essas novas unidades são antieconômicas e anti-sociais. Com elas, mais de 400 famílias da região serão desalojadas. O procedimento deve ser revisto e levado à discussão, para não prejudicar os municípios?, afirma.

De acordo com a diretora de Meio Ambiente de Castro, Maria Inês, o município também exige a exclusão de áreas econômicas importantes, como as de reflorestamento e também de lavoura. ?Ainda não recebemos nada oficial dizendo que nossa proposta foi aceita?, afirma. O presidente da comissão encaminhada por Ponta Grossa, Luiz Eduardo Pilatti, diz que na reunião da última quarta-feira, a proposta dos municípios foi reiterada e ?o Ministério do Meio Ambiente afirmou que vai aceitar, mas não totalmente?.

Ele reafirma, porém, que os problemas da implantação das novas UCs são diversos. ?O Paraná já não tem mais áreas para serem incorporadas para a agricultura. Além disso, teremos problemas em desapropriar as áreas e os municípios irão perder receita. São vários problemas. No papel já estão delimitadas as áreas, mas se pudermos redimensioná-las. É isso que estamos tentando?, afirma Luiz Eduardo.

Ministério

Segundo o gerente de projetos da Diretoria de Áreas Protegidas, Fábio Araújo, de fato o Ministério do Meio Ambiente recebeu muitas propostas sobre as novas áreas de conservação a serem implantadas. Ele explica que essas três UCs estão em fase de estudos e que todas as propostas estão sendo consideradas. ?Nesse momento a gente está elaborando um parecer de todas as propostas apresentadas. Estamos analisando uma a uma. Têm coisas que a gente pode atender parcial ou totalmente e tem outras que são inviáveis?, diz Araújo.