Chuniti Kawamura / GPP
Chuniti Kawamura / GPP

Moreira disse que o protesto foi
apenas um tumulto eleitoral.

A eleição do reitor e do vice-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) será somente em novembro. No entanto, a agitação já começou e a oposição à atual gestão está mobilizada. Ontem pela manhã, o reitor Carlos Augusto Moreira Júnior, candidato à reeleição, convocou uma reunião extraordinária com o Conselho Universitário, na qual propôs como pauta o sistema da próxima eleição. Foi o suficiente para que uma breve manifestação fosse feita no prédio da reitoria, com direito a carro de som e faixas na parede.

Os manifestantes eram os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), dos professores e do Sindicato dos Técnicos Administrativos da UFPR. Eles alegam que o reitor estaria tentando modificar uma situação democrática de muitos anos. Inclusive, há dois dias, eles redigiram uma carta solicitando que o conselho sequer discutisse ou abrisse pauta sobre o assunto. ?Pois não é interesse de ninguém da comunidade acadêmica e estaria se abrindo um precedente?, afirma Jacir Oliveria Moraes, secretário-geral do sindicato dos servidores administrativos da universidade. ?Nos últimos 20 anos a universidade contava com a participação da comissão formada por essas três entidades na organização da eleição. Ao Conselho Universitário cabia apenas a homologação do resultado. Agora o reitor quer fazer com que o conselho forme a própria comissão. A eleição sempre foi isenta. A partir do momento que um candidato a reeleição convoca o conselho para essa participação, o que você imagina que está para acontecer??, questiona Moraes.

O movimento logo se tornou mais fraco quando as portas da reunião se abriram e ficou-se sabendo do resultado. ?Por aclamação unânime, o conselho resolveu por abdicar novamente em favor dessas entidades?, afirma o reitor. Moreira reafirma que as eleições sempre foram em sistema paritário, ou seja, os estudantes participam com um terço dos votos, os professores e técnicos com a mesma porção. O Conselho Universitário, a quem cabe decidir, como determina o Ministério da Educação (MEC), sobre como e quem organizará a eleição, delegava às entidades a responsabilidade pela realização da eleição.

?Apenas encaminhei ao conselho uma pauta, que cabe ao conselho delegar ou não. Não tinha intenção alguma nessa reunião. O próprio MEC sinaliza essa questão no artigo 47 do anteprojeto da Reforma Universitária. Foi apenas um tumulto eleitoral. Tem oposição. É claro que tem oposição?, conclui o reitor.