Representantes de motoboys e motofrentistas se reuniram ontem na sede da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) com a presidência do órgão para discutir a reformulação de itens da lei municipal 11.738/06, que regulamenta a atividade na capital.

A reunião foi marcada depois que, na última semana, os trabalhadores da categoria paralisaram o importante cruzamento entre as avenidas Marechal Deodoro e Marechal Floriano Peixoto, no centro da capital, em protesto contra os mesmos itens impostos pela legislação do município.

O Sindicato dos Motociclistas Profissionais Autônomos de Curitiba e Região, que representa 15 mil trabalhadores na Grande Curitiba, entregou uma contraproposta de alteração do regulamento à Urbs, que ficou de estudar a viabilidade das reivindicações e dar uma posição oficial aos trabalhadores amanhã, quando haverá uma nova rodada de negociações.

“Todas as nossas reivindicações não atingem o que prevê o Código Brasileiro de Trânsito e, portanto, são absolutamente passíveis de alteração”, afirma o presidente do Sindicato, Robson Prado.

Dentre os questionamentos da categoria está a padronização da pintura das motos, que oneraria investimentos aos próprios trabalhadores; a obrigatoriedade de o veículo estar registrado em nome do próprio usuário; a aplicação de taxas de cursos de capacitação e vistorias; e a adoção de placa vermelha para a identificação das motos.

“Assim que tivermos o posicionamento da Urbs, vamos nos reunir com a categoria e decidir o que fazer”, diz Prado. Ele ressalta que o impasse gerado pela regulamentação do município está sendo benéfico para os trabalhadores, no sentido de que os trabalhadores vêm fortalecendo a união da categoria.

“O importante é que os trabalhadores estão se unindo em volta desse assunto. Isso estava faltado para que pudéssemos abordar novos pontos que precisam ser discutidos em benefício dos motoqueiros”, afirma.

De acordo com o gestor da área de Transporte Comercial da Urbs, José Carlos Pereira Filho, o objetivo é resolver o impasse. “Os trabalhadores se demonstraram favoráveis ao cadastramento, já que podem de fato serem reconhecidos como categoria”, afirma. Segundo ele, os trabalhadores terão prazos para se adaptar ao regulamento.

Pereira Filho afirma que a Urbs está disposta a atender tudo o que for possível e que não interfira na lei federal e na organização do serviço. “A ideia é aumentar a credibilidade do serviço e a segurança tanto do prestador quanto do contratante”, diz.

De acordo com a prefeitura, o cadastramento foi iniciado no último dia 7 e, até aqui, cerca de 1.300 motofretistas compareceram à Urbs, Urbanização de Curitiba S/A em busca de informações e 60 cadastros já foram feitos. A partir de maio, os motofretistas cadastrados farão um curso específico.