“Falta de produtividade”. É esta a razão que levou um agente de trânsito a ser demitido neste início de ano pela Urbs (empresa que coordena o trânsito da capital), através da Diretran. Essa justificativa, no entanto, está sendo contestada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Trânsito, Transporte e Urbanização de Curitiba (Sindiurbano). O Sindicato denuncia que a “falta de produtividade” a qual a Urbs se refere, diz respeito à baixa arrecadação com a aplicação de multas, que tais agentes vinham apresentando.

Segundo o diretor do Sindiurbano, Adílson Nunes, no ano passado cerca de 10 demissões teriam sido feitas do mesmo modo. “É um expediente comum deles. Demitem quem arrecada pouco”, afirma. Demitido esta semana pela empresa, o ex-agente S.C.R. – que não quer se identificar por temer represálias no acordo agendado para a próxima semana com a empresa – conta que enquanto emitia uma média de dois autos de infração (multas) por dia, outros agentes (que continuam empregados) chegavam a emitir no mesmo período cinco vezes mais. “Nesses quase 12 meses que estive trabalhando como agente só faltei quando destronquei a clavícula e, precisei ficar de licença médica por 15 dias. Tenho a consciência trânqüila de que sempre fui um bom funcionário”, afirma. “Por isso, estou certo de que quando a direção alegou que a minha demissão era por falta de produtividade, ela estava se baseando na quantidade de dinheiro que eu trazia para a empresa durante o período que eu ficava na rua”, acredita S.C.R, informando que nunca houve uma determinação explícita da Urbs para os agentes multarem em excesso. Segundo ele, a empresa sempre recomendou “bom senso”. “Sempre procurei realizar um trabalho educativo, orientando os infratores. Só em último caso, aplicava multas. Isso que eu interpreto como utilizar o bom senso”, diz.

Agressões

Outra situação envolvendo os agentes, que o Sindiurbano está denunciando são as constantes agressões que esses profissionais sofrem durante o período em que estão trabalhando. “Semanalmente, cerca de dois agentes são agredidos verbalmente ou fisicamente pela população”, aponta Jefferson Andrade.

Na última segunda-feira, o sindicato se reuniu com a Urbs, para discutir a questão e solicitar que fosse desenvolvido um trabalho de valorização da imagem do agente de trânsito. Mas, de acordo com Andrade, a empresa não se mostrou interessada em resolver o problema. “Esse descaso com os agentes vem se tornando perigoso. Já houve casos de agentes que foram ameaçados por infratores com revólver”, conta Andrade. (Colaborou Guilherme Voitch)

Sindicato cogita paralisação

O Sindiurbano fará assembléia geral com os agentes até o início da próxima semana, quando estará em pauta a realização de uma paralisação. Denúncia deverá ser investigada pela Câmara Municipal.

No que depender de alguns vereadores de Curitiba, o retorno dos trabalhos na Câmara ( 17 de fevereiro), deverá tratar deste assunto. O vereador André Passos (PT), é um dos parlamentares que vem acompanhando a situação dos agentes e pretende abrir um processo de investigação para apurar a denúncia à respeito das investigações. “A sociedade que paga pelo atual sistema de gerenciamento de trânsito. Se há suspeitas de irregularidades, acredito que todos os 35 vereadores terão interesse de investigar”, avalia Passos.

Diretran nega versão

Segundo a Gerente de Operações e Fiscalização de Trânsito da Diretran, Léa Hatschbach, a única demissão deste ano foi de um funcionário que não estaria dando conta de suas atribuições. “Esse funcionário apresentava dificuldades. Enquanto a maioria dos agentes dava três voltas, ele dava uma volta na quadra. Colocamos ele novamente no curso de treinamento e o problema se repetiu” explicou.

A diretora também discordou da versão do sindicato quanto ao tratamento dispensado aos agentes que passam por situações embaraçosas. “Todos os agentes que se sintam ofendidos por motoristas são orientados por nosso departamento jurídico. Além disso temos assistentes sociais e psicólogos de plantão”. (MM)