Nos últimos tempos, a Urbs vem realizando uma série de reuniões com responsáveis por centrais de táxis e taxistas de Curitiba. A idéia é estabelecer uma bandeira única entre os táxis da cidade com base na bandeira dois, que é cerca de 30% mais cara do que a um, e que atualmente só é utilizada no período da noite. O assunto vem gerando polêmica tanto nas centrais, quanto entre os motoristas.

O taxista Ênio Levandoski, que trabalha pela rádio-táxi Curitiba e está há quinze anos na atividade, acredita que a medida, se adotada, iria espantar os clientes. “Atualmente, pouca gente opta em pegar táxi. Nossa situação já é ruim e vai ficar ainda pior, caso seja implantado preço único com base na bandeira dois”, afirma. “Acho que é preferível cobrar menos e ganhar pela quantidade de clientes do que subir o preço e passar a maior parte do tempo parado no ponto”.

O administrador da central Associação Ligue Táxi, Francisco Castro, concorda e acredita que a medida seria um golpe contra a população. Há um ano e meio, a central onde ele trabalha só cobra bandeira um, independente do horário do dia ou da noite. “O poder aquisitivo da população está bastante baixo e temos que nos adaptar à essa realidade. Não adotamos a bandeira dois,justamente para fomentar o uso do táxi à noite”, esclarece.

Favorável

De opinião contrária, o taxista Marcos Maciel, que há oito meses trabalha como autônomo, concorda que o valor da bandeira dois seja cobrado como único. Segundo ele, a medida beneficiaria os taxistas e não espantaria os clientes. “A gasolina vive subindo e os gastos que temos com a manutenção do carro não são nada baixos”, diz. “Quem utiliza táxi o faz por necessidade e vai acabar se acostumando com a bandeira única. Nos meses de dezembro, só utilizamos bandeira dois e a quantidade de clientes não diminui”.

Planilha

Para o presidente da Associação dos Taxistas e Similares de Curitiba, Wilson César Correia, a Urbs deveria fazer uma nova planilha de custos e exigir que os preços fossem respeitados por todas as centrais e taxistas autônomos. Wilson defende a redução do valor tanto da bandeira um quanto da dois, mas não a exclusão das mesmas. “A bandeira dois nada mais é do que um adicional noturno. É um direito já garantido dos taxistas e que não pode ser eliminado”, pondera. “Porém, não adianta nada subir o preço para a população. A medida prejudicaria tanto o consumidor quanto os taxistas”, completa.

A Urbs, através de sua assessoria de imprensa, informou que não iria se pronunciar sobre o assunto.