Moradores de Tijucas do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, não agüentam mais o preço da passagem intermunicipal. Para ir e voltar de São José dos Pinhais, por exemplo, gastam, num dia, R$ 15,60. Se o destino for Curitiba o valor sobe para R$ 19,68.

Como a cidade é pequena muita gente procura emprego nas cidades vizinhas, mas não consegue trabalho porque os empregadores não querem arcar com os custos de transporte. Num mês, os gastos podem chegar a R$ 432,96.

Tijucas fica a cerca de 50 quilômetros de São José dos Pinhais e 70 de Curitiba. Apesar da distância, muitos moradores acabam tendo que se deslocar para outras cidades por questão de sobrevivência. Na cidade, de cerca de 13 mil habitantes, não existe oportunidade de trabalho para todos, principalmente para os jovens.

O caso de Adriana Simonato Cordeiro, 18 anos, é um exemplo. A estudante diz que mora só com a mãe e a renda de R$ 500,00 é insuficiente. Ela tentou achar um trabalho registrado em São José dos Pinhais, mas não deu certo. Os empregadores disseram que pagariam o mesmo que pagam para trabalhadores do próprio município.

A diferença teria que ser bancada por Adriana. “Do meu salário sobraria apenas R$ 250,00”, comentou. Ela afirma que a situação também atinge a maioria de seus colegas de escola.

Inês Lexinoski da Rocha também reclama da tarifa. Ela diz que precisa ir até São José para fazer exames, compras e visitar a família. A cada ida gasta em média que R$ 31,20, já que vai com uma das filhas. “As vezes eu desisto de ir porque sai muito caro”, falou.

Marilda de Santana Santos diz que os idosos também sofrem. As pessoas com mais de 60 anos pagam passagem como os demais. A lei que beneficia a terceira idade não se aplica ao transporte intermunicipal da cidade. Laurita Caldeira dos Santos levanta outro problema. Muitas vezes as pessoas precisam viajar em pé.

Diante destas dificuldades, ela resolveu fazer um abaixo-assinado para entregar à Prefeitura da cidade. Diz que já tem cerca de duzentas assinaturas e vai coletar outras cem.

Segundo o secretário municipal de administração, Reinaldo Machado, eles já mandaram ofício ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para reavaliar a forma como a tarifa é determinada. Segundo a assessoria do DER, o valor é calculado pelo órgão e é feito em cima dos custos do sistema, considerando a quilometragem percorrida e quantidade de passageiros.

Por enquanto, não estão previstas mudanças neste sistema. Mas o DER está elaborando um plano diretor que vai estudar as novas necessidades do transporte intermunicipal, prevendo inclusive processo de licitação. Porém, não se sabe quando ficará pronto.

As empresas que operam hoje são fruto de concessões antigas. Em relação ao fato de passageiros viajarem em pé, o DER faz constantes fiscalizações, mas os usuários também podem fazer denúncias pelo telefone 0800-410158.