A modernização do cartão transporte em Curitiba ainda está em fase de ajustes e se tornou uma via crucis para alguns passageiros. Comprar créditos não tem sido tarefa fácil. Na praça Rui Barbosa, quatro bancas são credenciadas para venda de passagens e é comum que os estabelecimentos fiquem desabastecidos.

Felipe Rosa
Mudança é “uma bagunça”.

“Não tenho como sair daqui para comprar mais créditos. Fico sozinha e como vou deixar a banca sem ninguém?”, questiona Lindamir Assuiti, dona de uma das bancas credenciadas. De acordo com ela, a procura por créditos é muito grande e é difícil atender a todos os pedidos. “Passam umas mil pessoas por aqui diariamente. Não consigo atender todo mundo, tinham que colocar mais pontos de vendas”, sugere a comerciante.

Enquanto Linda não consegue atender a demanda, proprietários de bancas que não estão credenciadas lamentam não ter a máquina de recarga à disposição. “Falaram que só lá por outubro vai ter máquina e não tem produto suficiente para atender todo mundo. Com poucos pontos, os passageiros perdem e nós perdemos dinheiro também”, comenta Carlos Geovane, dono de banca de revistas. Mas são os passageiros que enfrentam os maiores problemas. “Cheguei ontem em Curitiba e não consigo encontrar crédito para o cartão. Vou ter que pegar táxi para não perder meu compromisso”, lamenta o chefe de cozinha Gabriel Wassmansdorff, que estava morando na Alemanha. O jovem conta que foi surpreendido pela novidade. “Entrei no micro-ônibus, mas como meu pai é isento, não sabíamos dessa mudança. Uma moça se ofereceu para pagar a passagem para não ter que descermos”, conta Gabriel.

Felipe Rosa
Gabriel pegou táxi

Quem também teve que andar muito foi o aposentado Marco de Sá, de 86 anos. Ele procurava pelo cartão avulso para a esposa e para sua diarista. Com problemas de locomoção, a esposa de Marcos prefere usar o micro-ônibus por ser mais fácil para embarcar. “Eu tenho cartão isento, queria comprar para ela porque é muito desgastante leva-la até a Urbs fazer o isento. Não queremos nada de graça, não me incomodo de pagar, mas não consigo encontrar créditos”, lamenta o aposentado. Para ele, a Prefeitura precisa ampliar a divulgação dos pontos de venda e não permitir que os locais credenciados fiquem desabastecidos. “Fizeram é uma bagunça com esta mudança”, critica o aposentado.

Segundo a assessoria de imprensa da Urbs, até o final de agosto serão apresentadas novidades que vão permitir ampliar os pontos de venda e recarga. Porém, não há detalhes e nem confirmação de uma data para apresentação dessas novidades. Quanto ao desabastecimento dos pontos de venda, a Urbs informa que o estabelecimento que não atender às necessidades dos passageiros entrará em processo de descredenciamento junto ao órgão.

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