Apesar de ter confirmado o primeiro caso da variante Delta do coronavírus ainda no início de junho e de ter admitido a transmissão comunitária da cepa no Paraná no fim de julho, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) afirma não ter dados suficientes para mensurar qual o percentual de casos desta variante no estado. A Delta é considerada preocupante porque altera o comportamento do coronavírus e, por ser aparentemente mais transmissível, pode prolongar o curso da pandemia.

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Em entrevista à Gazeta do Povo, a diretora técnica do Laboratório Central do Paraná (Lacen-PR), Irina Riediger, confirmou que ainda faltam dados e análise de amostras para se chegar ao percentual de presença da variante Delta do coronavírus no estado. Ela disse acreditar que esse resultado pode estar próximo, após algumas semanas de análise de dados, mas que “neste momento ainda não é possível delimitar qual é a presença, o percentual de casos da variante Delta no Paraná”.

Segundo a Sesa, em todo o Paraná foram identificados até esta terça-feira (10) 54 casos confirmados da variante Delta. Essa identificação foi feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, que sequenciou apenas 765 amostras de pacientes paranaenses desde o início da pandemia, em março do ano passado. A título de comparação, o boletim mais recente da secretaria traz praticamente o dobro desse número de casos novos confirmados apenas nesta terça-feira, 1.524.

Para o médico Giovanni Breda, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e infectologista no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná, essa parcela de amostras sequenciadas é muito pequena. Além disso, como leva muito tempo entre a coleta do material e a confirmação da variante – como no primeiro caso confirmado no Paraná, em que a amostra foi coletada em abril mas o resultado só saiu dois meses depois –, as autoridades de saúde estão sempre atrasadas em relação ao coronavírus.

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“Essa é uma informação bastante relevante. Sequencia-se uma parcela muito pequena das amostras positivas que a gente tem, e isso não dá uma dimensão real do nível de circulação de variantes no estado do Paraná, e há quanto tempo isso vem acontecendo. Até porque leva um tempo para isso acontecer. A gente está sempre defasado em relação a essa questão do risco pela detecção de variantes, principalmente as que trazem preocupação como a variante delta”, avaliou.

Exames hoje mostrariam apenas “Pontinha do iceberg”

A reclamação é a mesma da médica infectologista Marion Burger, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Curitiba. Segundo ela, em Curitiba também não é possível calcular o tamanho do impacto da variante delta porque não há amostragem suficiente de casos. De acordo com ela, a quantidade de sequenciamentos é muito pequena, e representa apenas uma pequena parcela dos casos positivos identificados na capital.

“A amostragem dos casos sequenciados aqui no Paraná ainda apresenta uma característica peculiar, porque são somente casos que preenchem os critérios que o Laboratório Central (Lacen) e a Sesa definiram para esse fim. São apenas os casos graves de pacientes internados, pessoas que foram a óbito e as amostras de gestantes. Só essas amostras é que são enviadas ao Lacen, e entre essas é que são escolhidas as que vão para o sequenciamento. Somente deste pequeno percentual, que representa em Curitiba menos de 5% das amostras analisadas e positivas para Covid, é que são sequenciadas as amostras para identificar os casos da variante delta. É só a ponta da pontinha do iceberg”, comparou.

Para Lacen, amostragem é suficiente

A diretora técnica do Lacen, Irina Riediger, defende o modelo estatístico utilizado para definir quais amostras vão para a análise na Fiocruz. Ela confirmou que o Lacen recebe apenas amostras de pacientes internados em estado grave, de grávidas e de pacientes que morreram em decorrência da Covid, além das amostras encaminhadas pelas 23 unidades sentinelas de viroses respiratórias de todo o Paraná. Os casos são catalogados e enviados à Fiocruz, que estão escolhe alguns pacientes ao acaso para terem suas amostras sequenciadas.

“Hoje nós estamos processando cerca de 5 mil amostras por mês. Dá algo em torno de 1.250 amostras por semana. Isso varia de semana a semana, mas é mais ou menos a média que estamos tendo nos últimos meses. São amostras do Paraná inteiro, que quando dão resultado positivo são catalogadas e enviadas à Fiocruz em um relatório. Deste relatório, eles selecionam aleatoriamente 40 amostras dentre as positivas. Eles nos informam quais são as 40 amostras e a gente separa e remete a eles”, explicou.

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Sobre a quantidade de amostras analisadas mais a fundo, a diretora garante que é suficiente para os objetivos da Sesa. Segundo ela, o objetivo dessa chamada vigilância aleatória não é quantificar os casos, mas sim saber quando a nova variante entrou em circulação em um determinado território.

“É uma interpretação equivocada que o público às vezes faz quando se fala em sequenciar 40 amostras por semana. Pode-se dizer que esse número é muito pequeno, e que não vai se conseguir responder nada com isso. Essa interpretação precisa ser revista, porque existe um embasamento estatístico para se chegar a esse número e para saber que tipo de resposta a gente pode inferir com essa casuística. Nem sempre aumentar essa amostra vai mudar a resposta que vai se obter em uma pergunta científica. Essa amostra é suficiente para a resposta que nós precisamos ter”, disse.

Análise leva a ações coletivas

A médica infectologista da SMS de Curitiba disse à reportagem que a pasta tem tentado junto à Sesa a inclusão de outras amostras nas análises que vão para a Fiocruz. “Não podemos dizer o quanto na população em geral, entre os casos leves, entre as pessoas que já foram vacinadas e que estão de novo com Covid, representa a variante Delta. Esta resposta a gente ainda não tem. Temos tentado que o estado e o Lacen enviem também uma alíquota dessas amostras de pessoas com casos leves ou que apresentem confirmação após terem sido vacinadas ou imunizadas depois de já terem tido a doença. Felizmente são um pequeno número de casos, mas um pequeno número dentro de um universo de 250 mil casos acaba sendo um número absoluto importante, e que precisa ser investigado”, ponderou Burger.

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A diretora do Lacen explicou que tais casos não entram no campo de interesse da análise. Ela confirmou também que mesmo aqueles que contraíram a Covid-19 depois de já terem sido curados de uma infecção anterior, ou depois da imunização completa com a vacina, só se tornariam relevantes caso houvesse a evolução para um caso grave da doença ou para óbito. Isso porque, segundo Riediger, o sequenciamento não pode ser usado como indicativo de terapia ou mesmo para o balizamento de condutas médicas em relação a um único paciente.

“Saber qual variante está circulando não vai levar a uma medida diferente de prevenção, não vai levar a uma mudança de estratégia de vacinação daquele paciente. Não vai levar a uma mudança de condutas para isolamento e quarentena para aquela pessoa que está infectada ou a outros cuidados que essa pessoa precisa ter consigo ou com as outras com as quais ela convive. Não impacta em nada disso. Ela impacta na epidemiologia, no que as autoridades de saúde podem esperar com relação a uma maior transmissibilidade, à ocupação de leitos, a uma perspectiva de óbitos. É para essas informações, para este tipo de estratégia que se faz o sequenciamento. Não há nenhuma ação em nível individual, e sim em nível populacional. Nada específico para um determinado paciente. É aplicada para a definição de medidas de saúde pública”, defendeu.

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