A tão esperada engorda da praia de Matinhos, no litoral do Paraná, vai levar mais tempo do que a intervenção feita no ano passado em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Enquanto na praia catarinense a operação de dragagem, que consiste em extrair a areia do fundo do mar e trazer para a orla, para o alargamento, durou cerca de três meses (de agosto a outubro), aqui serão cerca de cinco meses (de julho a novembro), de acordo com previsão do Instituto Água e Terra (IAT), órgão do governo do Paraná, responsável pelo projeto.

A obra paranaense também é maior, e, portanto, mais cara.

Segundo o IAT, a engorda de Matinhos vai demorar mais porque “aqui a extensão é maior e a faixa de areia ficará mais larga”. Em Camboriú, um trecho de 5,8 quilômetros de faixa de areia foi alargado e, ao final, a praia ficou com 70 metros. Em Matinhos, a engorda atingirá uma extensão de 6,3 quilômetros e a faixa de areia ficará com 100 metros de largura.

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Em Camboriú, foram transportados do fundo do mar até a orla 2,2 milhão de metros cúbicos de areia. Em Matinhos, serão quase 2,8 milhão de metros cúbicos.

Há outra diferença importante, geográfica. “O litoral do Paraná tem algumas áreas com declives de areia, que precisam ser corrigidas para ficarem planas. Se ficarem os declives, o balanço do próprio mar acaba por espalhar a engorda que foi feita”, esclarece o IAT. Dessa forma, todo o trabalho de alargamento da faixa de areia poderia se comprometer em pouco tempo.

Mesma empresa que alargou praia de Camboriú

“Em linhas gerais, a metodologia usada em Camboriú e em Matinhos será a mesma”, explicou na semana passada, quando os trabalhos foram começados, o diretor técnico do Consórcio Sambaqui, Élvio Torres. A empresa que está fazendo esta operação, a Jan de Nul, é a mesma que fez em Santa Catarina e os equipamentos usados também são os mesmos.

A Jan de Nul, da Bélgica, é uma das sete empresas que integram o Consórcio Sambaqui, que venceu a licitação para executar a obra em Matinhos. Em Camboriú, a execução ficou a cargo do Consórcio DTA/Jan de Nul.

A operação de dragagem será feita por um navio vindo da Bélgica. A embarcação já chegou ao Rio de Janeiro e estará no litoral paranaense no final de junho, segundo a previsão do governo, para início da dragagem. Daqui até lá, o que está sendo feito é a montagem de um duto de aço de três quilômetros de extensão. É por esse duto que a areia do fundo do mar passará, após ser sugada, chegando até a orla, onde será espalhada e compactada, formando a faixa de areia alargada para uso dos banhistas.

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Para a montagem do tubo de aço, iniciada dia 12, uma área de três quilômetros do balneário Flórida até Saint Etienne (canteiro de soldagem) foi interditada e não poderá ser acessada pelos banhistas durante o uso do espaço. A faixa de areia que será alargada vai do balneário Flórida até o Morro do Boi, na praia brava de Caiobá.

Em Balneário Camboriú, embora o processo de engorda tenha sido concluído no final de outubro, a praia foi liberada e entregue aos banhistas no começo de dezembro, após desmontagem dos equipamentos. No Paraná deve acontecer o mesmo e a previsão do governo é entregar a praia com a conclusão da engorda na próxima temporada de verão, provavelmente em dezembro deste ano.

Obras em Matinhos envolvem remodelação paisagística

A obra em Matinhos, no entanto, continua porque não se limita à engorda. Envolve um projeto urbanístico e paisagístico que inclui o replantio da vegetação de restinga, a construção de ciclovias e faixas para caminhadas e estrutura de lazer.

“Paralelamente, acontecem os trabalhos de micro e macrodrenagem que envolvem os bairros de Matinhos e que vão solucionar os problemas das enchentes, recorrentes no município”, observa o secretário de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Everton Souza. A finalização completa da obra está prevista para o final de 2024, quando vence o prazo de 32 meses para a execução (contado a partir do início dos trabalhos). Em Camboriú o processo de engorda custou R$ 66,8 milhões. Em Matinhos, apenas nessa operação serão investidos R$ 124,5 milhões.

O valor total do contrato paranaense alcança R$ 314,9 milhões (firmado entre o governo do Paraná e o Consórcio Sambaqui). Começou com R$ 381,7 milhões, mas o Consórcio ofereceu um desconto no processo de licitação. Esta será a primeira fase da obra, prevista para ser entregue em 32 meses, até o final de 2024. Nesta primeira etapa, a engorda vai do Morro do Boi (praia brava de Caiobá) até o balneário Flórida.

Numa etapa posterior, que ainda depende de licitação, outro 1,7 quilômetro será alargado, do balneário Flórida ao balneário Saint Etienne, com um investimento estimado em R$ 124,7 milhões.

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