A venda de passagens de ônibus há alguns anos já se transformou em renda pra cambistas que comercializam créditos em pleno terminal. Mas a prática de garantir um dinheiro extra com esta venda agora também está sendo feita pelas redes sociais. O que poucos compradores sabem é do risco que correm ao adquirir um cartão de transporte de terceiros. Caso a situação seja flagrada pela Urbs, o usuário que vendeu pode ter os créditos zerados e o comprador não terá garantia de ressarcimento.

Antes, a única modalidade de venda era a feita na porta de embarque dos ônibus. O cambista “aluga” o cartão até o passageiro passar pela catraca e depois o apanha novamente pela janela. Mas essa prática passou a ser menos frequente, pois a Urbs passou a bloquear os cartões que apresentavam muito uso no mesmo horário e no mesmo lugar.

Agora, a nova tentativa de fazer as passagens render um dinheiro extra tem sido pelas redes sociais. Usuários do Facebook que participam das páginas de venda e troca na cidade de Curitiba passaram a utilizar o espaço pra comercializar passagens. Todos os dias novos anúncios surgem oferecendo passagens abaixo dos atuais R$ 3,30.

Porém a venda de passagens é exclusividade da Urbs. Como o cartão de transporte é de uso pessoal, quem tentar alugá-lo, ou mesmo vendê-lo, poderá ser advertido, e se voltar a vender, terá o cartão zerado. Segundo a assessoria da Urbs, o artigo 12 do decreto que regulamenta o uso do cartão proíbe a revenda e ainda possibilita a perda progressiva dos créditos do usuário, até correndo o risco da perda total, em casos de reincidência.

No Facebook, usuários vendem créditos por preço menor, sem medo da fiscalização.

Venda em comunidade

Com a facilidade da internet, muitos aproveitam o espaço de interação pra anunciar todo tipo de negócio. Os administradores da maior página de vendas e trocas de produtos no Paraná no Facebook, com mais de 160 mil usuários, contam que é um trabalho enorme moderar vendas irregulares. “Há muitas pessoas que fazem anúncios e nem todos podemos apagar ou ver no ato, mas sempre estamos repreendendo, apagando, ou até banindo membros infratores”, explica Cleverson José da Costa.

Segundo ele, antigamente eram feitos alertas diretamente aos membros, mas após muitos casos de agressão verbal, quem não cumprir as regras passou a ser excluído diretamente. De acordo com Cleverson, a lista de membros banidos ultrapassa 1.200 pessoas.

Só dois

A Urbs informou que já foram constatados dois casos em que usuários que comercializavam passagens foram advertidos. Porém, na página em que as vendas ocorrem o volume é muito maior, sendo possível conferir mais de 20 anúncios por dia.

Passagens extras

Os motivos pra venda das passagens variam de caso para caso. Seja pra quem irá se mudar de cidade, ou pra quem recebe o benefício do vale-transporte subsidiado pelo empregador – se o valor das passagens mensais for superior a 6% do salário do funcionário, a empresa é obrigada a cobrir o restante – este comércio pode gerar uma renda a mais pra quem não necessita diariamente dessas passagens. Mas isto, por si só, já caracteriza uma ilegalidade e a empresa pode denunciá-lo.

Pra quem se mudou de cidade, as passagens possuem validade de cinco anos e não são reembolsadas.

Cambistas

A Tribuna tentou comprar uma passagem pra Rede Metropolitana, no Terminal do Guadalupe, onde os cambistas come&cce,dil;am cedo, às 8h, e vão até as 19h. O comércio funciona de maneira simples: o cambista compra as passagens por R$ 2 e revende por R$ 3. A compra é feita de pessoas que se mudaram de cidade ou de trabalhadores que recebem o benefício mas utilizam outros meios pra ir ao trabalho, ou mesmo já foram desligados da empresa.

Os interessados em vender encontram os cambistas no próprio terminal ou nas redes sociais. “Não dá muito dinheiro, mas conseguimos sair no final do dia com cerca de R$ 50 e um almoço garantido”, relata um dos cambistas que atua no Guadalupe.

Quem fiscaliza?

Na página disponível pra vendas e trocas, a negociação é feita diretamente com o proprietário. Alguns chegam a pedir em dinheiro apenas a metade dos valores em crédito. Basta uma mensagem pessoal pra fechar o negócio.

Atualmente, o vale-transporte da RMC pode ser adquirido regularmente nos terminais metropolitanos e na loja da MetroCard, no centro de Curitiba. Porém, cada região tem uma passagem específica, dependendo da empresa que opera no local.

A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), informou que a venda irregular deveria ser fiscalizada pela MetroCard, empresa que representa as concessionárias que operam na RMC na gestão e implementação do sistema de bilhetagem.

De acordo com a MetroCard, após auditorias diárias de utilização em todos os cartões no sistema, com o intuito de preservar a segurança dos usuários, a empresa se reserva ao direito de realizar bloqueios preventivos, caso seja constatado uso irregular.

É o seguinte!

É mais um tipo de negócio pro qual existe uma lei – o artigo 12 do decreto que regulamenta o uso do cartão proíbe – mas a revenda corre solta. Como qualquer outra tentativa, há o risco do cambista ficar sem nada. Pior: há o risco do dono do cartão perder o crédito (nos dois sentidos) e perder todos os direitos de uma futura compra. Portanto, muito cuidado!