Durante todo o dia, muito trabalho
para reparar os estragos do vendaval.

Os fortes ventos, acompanhados de chuva, registrados na manhã de ontem provocaram prejuízos em diversas regiões do Paraná. Os principais problemas foram no abastecimento de energia, já que em vários pontos, a rede elétrica foi atingida por galhos e árvores.

De acordo com o tenente Maurício Genero, da Defesa Civil, as ocorrências, embora em grande quantidade, foram de pequenas proporções, sendo a maioria de destelhamento de casas e queda de muros. Em Guarapuava, vinte casas foram danificadas, mas apenas uma ficou parcialmente destruída.

“O transtorno maior foi no trânsito, já que era horário das pessoas irem para o trabalho e muitos semáforos estavam desligados, o que provocou congestionamentos em algumas vias”, disse o tenente.

Em Curitiba foi registrada, entre 5h e 11h, a queda de dezesseis árvores. A situação de maior gravidade foi em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana, onde uma árvore atingiu um linha de energia e provocou a queda de 23 postes de luz, no bairro Fazenda Iguaçu.

Frio

O temporal registrado ontem foi em função da passagem rápida de uma frente fria pelo Paraná. Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Samuel Braun, ela provocou ventos que chegaram a 80 km/h em Cândido de Abreu. Em Curitiba, na região do bairro Jardim das Américas (zona leste), os ventos alcançaram 47 km/h.

O meteorologista afirmou que a frente fria já foi para São Paulo, e uma massa de ar frio está chegando ao Paraná. Com isso, as temperaturas cairão, e estão previstas geadas para todo o Estado no fim de semana. “O tempo deverá ficar bom, com alguma nebulosidade hoje, mas a tendência é que melhore ao logo do dia”, disse. Em Curitiba a temperatura mínima deverá ser de 5ºC, e a máxima de 18ºC. Já na região Sul do Estado, próximo a Palmas, as temperatura poderá ficar abaixo de 0ºC.

A onda de frio que chegou ao Brasil foi a mesma que causou tempestade de neve na Argentina, temporais no Chile e Uruguai. Há previsão de geada durante o fim de semana no Sul do País, em parte do Sudeste e do Centro-Oeste. Pode ocorrer neve nas serras gaúchas amanhã, a partir da madrugada.

Árvores caídas, trânsito caótico

Os fortes ventos registrados na manhã de ontem destelharam casas e provocaram queda de árvores em vários pontos de Curitiba, além de deixar quarenta semáforos desligados. Segundo o Simepar, o vento alcançou a velocidade de 47 km/h entre 6h e 7h da manhã, o que mobilizou as equipes da Defesa Civil já nas primeiras horas do dia.

Na Rua Fernandes de Araújo, próximo do terminal da Fazendinha, uma mulher e uma criança sofreram ferimentos leves provocados pela queda de uma árvore sobre a casa onde moram. As duas pessoas foram encaminhadas pelo Siate ao Hospital do Trabalhador, de onde foram liberadas ainda pela manhã. Houve também o destelhamento de uma casa na Rua Maria Petroski, no Conjunto Solar, bairro do Bacacheri.

A uma quadra do terminal da Boa Vista, a Defesa Civil atendeu a um chamado devido à queda de árvore sobre fios de alta tensão, que colocava em risco também uma residência. A Copel foi prontamente acionada para a retirada da árvore. No Alto São Francisco, os ventos também derrubaram um galho de árvore de grande porte, obstruindo o trânsito da Rua Celestino Júnior.

Um dos maiores problemas causados pelo temporal ocorreu na Rua José Bajerski, no bairro do Abranches, no início da Rodovia dos Minérios. A queda de um eucalipto obstruiu a rua e outro corria o risco de atingir postes de energia elétrica.

A árvore que caiu atingiu o veículo Chevette de placas ACL 7618, de Almirante Tamandaré, conduzido por Nilson Araújo da Silva, que não ficou ferido.

Também ocorreram quedas de árvores nas ruas Joaquim Maracan, no Boqueirão; Mateus Leme, próximo ao Parque São Lourenço; e Lenir Luiz Toaldo, em Santa Felicidade; e na Avenida Manoel Ribas; na Rua José Bajerski, perto da Rodovia dos Minérios, no Abranches; e na Rua Almirante Tamandaré, próximo ao número 1133, no Alto da XV. As equipes isoloaram uma área na Rua Marechal Deodoro, próximo à Travessa da Lapa, para a remoção do vidro do 16.º andar de um edifício, que ficou trincado por causa do vento.

Semáforos

A chuva intensa, o vento forte e a falta de luz na parte da manhã também deixaram quarenta semáforos desligados em várias regiões da cidade. Quem trafegava pelos bairros Jardim Botânico e Alto da XV enfrentou pontos de congestionamento.

Desde 6h30 três equipes da Diretran trabalharam exclusivamente na manutenção dos equipamentos dos quarenta cruzamentos que tiveram problemas. Foram mobilizados 76 agentes municipais de trânsito, que ocuparam os cruzamentos e ruas mais movimentadas para orientar os motoristas. Às 12h praticamente todos os semáforos estavam funcionando normalmente.

320 mil casas ficaram sem luz

O temporal prejudicou o fornecimento de energia elétrica a cerca de 320 mil ligações na Região Metropolitana de Curitiba, litoral, Centro-Sul e Norte Pioneiro do Estado. Só na capital, 100 mil domicílios em 31 bairros tiveram problemas com falta de eletricidade.

Durante todo o dia, as equipes de atendimento a emergências da Copel permaneceram mobilizadas para atender às mais de mil ocorrências notificadas à Companhia. Muitos consumidores, principalmente na capital, só tiveram normalizados os serviços de energia no princípio da noite.

Segundo a Copel, há registro de quebra de postes e de rompimento da fiação elétrica por queda de árvores em Curitiba e regiões vizinhas, além de transformadores queimados e isoladores com vazamento em decorrência de descargas atmosféricas.

Uma árvore caiu sobre a linha de transmissão que liga as subestações Bateias e Lapa, ao sul de Curitiba, deixando totalmente sem eletricidade das 5h48 às 9h02 as cidades da Lapa, Quitandinha e Campo do Tenente. O mesmo desligamento também afetou Agudos do Sul e Piên, só que durante um período menor.

Estragos

A principal causa dos desligamentos na rede elétrica da Copel foi o forte vendaval, que a partir das 4h da manhã começou fazendo estragos nas regiões de Pitanga, Telêmaco Borba, Manoel Ribas, Inácio Martins, Irati e Rio Azul. Nessas áreas, aproximadamente 80 mil unidades consumidoras (urbanas e rurais) tiveram problemas de falta de energia.

Em Curitiba, o fenômeno começou por volta de 5h e desligou dezoito linhas alimentadoras de alta tensão. A cidade é servida por uma rede de 130 circuitos, cada um respondendo pelo suprimento a grupos de 5 mil consumidores, em média. Às 9h, todo o sistema de alta tensão estava recomposto, permitindo que fossem identificados e reparados os pontos danificados nas redes de baixa tensão.

Quase quatrocentas ocorrências foram atendidas pela Copel em diferentes pontos da cidade.